Galípolo avalia recomendar duas mulheres para vagas no Copom, dizem fontes

Publicado 27.05.2026, 17:30
Atualizado 27.05.2026, 17:35
© Reuters. Presidente do Banco Central, Gabriel Galipolo, participa de coletiva de imprensa na sede da instituição, em Brasília, 26 de março de 2026. REUTERS/Adriano Machado

© Reuters. Presidente do Banco Central, Gabriel Galipolo, participa de coletiva de imprensa na sede da instituição, em Brasília, 26 de março de 2026. REUTERS/Adriano Machado

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA, 27 Mai (Reuters) - O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, avalia recomendar duas profissionais mulheres para preencher as vagas abertas no Comitê de Política Monetária (Copom), colegiado de nove membros responsável pelas decisões de juros, disseram à Reuters três fontes com conhecimento direto do assunto.

Entre as candidatas consideradas para a diretoria de Política Econômica do BC está Cecilia Machado, economista-chefe do banco BOCOM BBM e com PhD em economia pela Universidade Columbia, afirmaram as fontes, sob condição de anonimato devido ao caráter privado das discussões.

Para a diretoria de Organização do Sistema Financeiro, Marina Copola, diretora da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e especialista em direito econômico e comercial, aparece como principal candidata, acrescentaram.

O colegiado de cinco membros da CVM vinha operando com apenas dois diretores efetivos, incluindo Copola, mas o Senado aprovou na semana passada duas indicações, incluindo um novo presidente, reduzindo o risco de que sua eventual saída prejudique o funcionamento do órgão.

As fontes ressaltaram que ainda não há decisão definitiva, destacando que cabe ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva dar a palavra final -- ponto que Galípolo tem reiterado em declarações públicas quando questionado sobre o preenchimento das vagas.

O Banco Central não comentou o assunto. A Reuters não conseguiu contato com Machado e Copola.

Caso o plano avance, a medida marcaria um fato inédito ao elevar para três o número de mulheres no Copom, incluindo a atual diretora de Cidadania e Supervisão de Conduta, Izabela Correa, cujo mandato vai até 2028.

Dos 142 nomes que já integraram a diretoria colegiada do BC, apenas seis foram mulheres, evidenciando o histórico predomínio masculino na instituição.

DESAFIOS POLÍTICOS

A demora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em preencher as vagas, abertas desde janeiro, contrasta com suas críticas frequentes de que a lei de autonomia do Banco Central de 2021 teria reduzido sua influência sobre um colegiado indicado por seu antecessor, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O BC já tomou três decisões de política monetária neste ano com apenas sete dos nove membros do colegiado, uma situação sem precedentes.

A área de Política Econômica, responsável por fornecer projeções e análises para a decisão de juros, vem sendo conduzida interinamente pelo diretor de Assuntos Internacionais, Paulo Picchetti, enquanto o diretor de Regulação, Gilneu Vivan, também tem respondido pela diretoria de Organização do Sistema Financeiro.

Fontes disseram anteriormente à Reuters que as vagas podem permanecer abertas por meses diante das tensões entre o governo e o Senado, responsável por aprovar as indicações de Lula.

No mês passado, o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal, em uma derrota histórica para Lula.

O ambiente legislativo também deve se tornar mais desafiador à medida que o calendário para votação de indicações se estreita com a proximidade das eleições gerais de outubro, que costumam desacelerar a atividade no Congresso.

(Reportagem de Marcela Ayres)

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