Revista Portuguesa de Arqueologia , 2025
Os Açores, arquipélago de origem vulcânica no Atlântico Norte, têm um valioso património históric... more Os Açores, arquipélago de origem vulcânica no Atlântico Norte, têm um valioso património histórico e arqueológico. A ilha de São Miguel é especialmente rica, com 33 fortificações identificadas, incluindo o Forte do Tagarete, construído provavelmente no século XVII para controlar e defender o acesso marítimo a Vila Franca do Campo. Ao longo dos séculos, sofreu várias modificações, refletindo as mudanças nas necessidades militares, incluindo durante a ii Guerra Mundial. Atualmente em ruínas e até recentemente utilizado como varadouro, o forte continua a ser um importante vestígio das fortificações açorianas, estando a ser alvo de um projeto de requalificação por parte do Município. Este artigo analisa a sua história, arquitetura e as intervenções realizadas. A pesquisa propõe medidas para a sua preservação e valorização, visando transformar o forte num património cultural acessível ao público e promover a educação histórica sobre as fortificações costeiras na região, nomeadamente através da Arqueologia Virtual.
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Papers by Daniela Cabral
origem marino-estuarina. A partir da análise dos invertebrados provenientes de uma intervenção arqueológica
realizada no ano de 2018 em Silves, foram caracterizados aspetos desses recursos e da sua utilização pelas
comunidades islâmicas.
O estudo incidiu na identifi cação taxonómica dos materiais (+7 kg), processos tafonó micos mais evidentes e
integração ecológica. Foram determinados mais de 2300 restos e a lista taxonómica obtida tem 13 espécies
diferentes. A maioria teria tido uso alimentar, como é o caso da amê ijoa-boa (Ruditapes decussatus), da ostra-
plana europeia (Ostrea edulis), do berbigão (Cerastoderma edule) e do cararol-branco (Theba pisana). Algumas
outras espécies terão tido utilizações diferentes.
the value of integrated analysis and supporting curatorial and analytical practices in contemporary osteological collections.
trabalhos permitiram a identificação de vários silos e fossas. Duas dessas estruturas revelaram grande interesse arqueológico, revelando materiais cerâmicos e metálicos, fauna e um esqueleto insepulto de uma criança. Esses depósitos parecem refletir uma situação de limpeza após um evento catastrófico que, com grande probabilidade, foi motivado por um conflito militar. Os materiais datam os depósitos entre o final do século XII e meados do século XIII.
Aqui apresentamos o estudo dos invertebrados materiais encontrados nessas duas fossas (Fossa A, anteriormente usada como fossa; Fossa B, usada como silo), onde mais de 2300 restos de moluscos foram exumados. A maioria são bivalves, enquanto os gastrópodes apresentam um número muito inferior, reflexo da disponibilidade de recursos aquáticos, nomeadamente no estuário do Arade. Várias das espécies identificadas ainda são comuns em nossa dieta hoje. Como sobras de comida podemos
destacar a concha de amêijoa-boa (Ruditapes decussatus), a ostra plana europeia (Ostrea edulis) e o berbigão (Cerastoderma edule). As conchas do caracol mediterrâneo (Theba pisana) também são abundantes, mas prováveis intrusões no contexto arqueológico. Noutros contextos islâmicos medievais (Salir, Mértola, Lixeira de Silves, Silo de Albufeira e Loulé), a amêijoa também é predominante. Isto mostra o seu sucesso comercial e preferência gastronómica, bem como a existência de redes de distribuição
de marisco no interior do território.
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