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Universidade de Brası́lia

Departamento de Matemática
Cálculo 1
A Regra da Cadeia

Suponha que, a partir de uma lona de plástico com 3m


6 metros de comprimento e 3 de largura, desejamos
construir uma barraca com vista frontal na forma de
um triângulo isósceles. Se denotarmos por h a altura 3m
da barraca e por b o comprimento da sua base, a si- h
tuação pode ser descrita pela figura ao lado.
Queremos escolher as dimensões de h e b de modo
que o volume da barraca seja o maior possı́vel. b
Para tanto, vamos inicialmente observar que este volume, em metros cúbicos, é dado pela
área do triângulo que fornece a vista frontal da barraca multiplicado por 3, isto é, o volume
é exatamente (3/2)bh.
É importante notar que o valor de b depende de h. De fato, usando o Teorema de

Pitágoras, vemos que 32 = h2 + (b/2)2 , ou ainda, b = 2 9 − h2 . Assim, podemos construir
uma função V (h) que fornece, para cada valor de h, o volume da barraca. A expressão dessa
função é como se segue:

V (h) = 3h 9 − h2 , h ∈ (0, 3).
Analisando o gráfico da função V ao lado concluı́mos que
o seu maior valor é atingido para algum h0 ∈ (0, 3). Nas
semanas seguintes vamos aprender como justificar melhor essa
afirmação, bem como desenvolver uma técnica que nos permita
traçar o gráfico da função. Por ora, vamos acreditar que o
gráfico é de fato como acima e nos concentrar em encontrar o
valor h0 que maximiza a função V .

Ainda explorando o gráfico, vemos que a função V é crescente no intervalo (0, h0 ). Isto
está intimamente relacionado com o sinal da derivada V ′ neste intervalo. De fato, note que
a reta tangente em qualquer ponto do tipo (h, V (h)) com h ∈ (0, h0 ) tem inclinação positiva.
Como esta inclinação é dada pelo número V ′ (h), concluı́mos que a derivada é positiva no
intervalo (0, h0 ). De maneira análoga temos que V ′ é negativa em (h0 , 3), intervalo onde a
função V é decrescente.

1
As observações acima nos dão a pista importante de como encontrar o número h0 . De
acordo com o gráfico, este ponto deve ser tal que V ′ (h0 ) = 0, isto é, no ponto onde a função
atinge o seu maior valor a reta tangente é horizontal.
A estratégia agora está bem clara: precisamos derivar a função V e buscar o ponto onde
a sua derivada se anula. No cálculo da derivada vamos usar a regra do produto
√ √ √ √
V ′ (h) = (3h)′ 9 − h2 + 3h( 9 − h2 )′ = 3 9 − h2 + 3h( 9 − h2 )′ . (1)

Neste ponto uma dificuldade técnica se apresenta: como calcular a derivada ( 9 − h2 )′ ?
√ √
Nas semanas anteriores apredemos que (9 − h2 )′ = −2h e que ( y)′ = 1/(2 y). Contudo, a
função que temos que derivar não é nenhuma destas duas, mas sim a sua composição. Mais
especificamente, se denotarmos

f (y) = y e g(h) = 9 − h2 ,

então

(f ◦ g)(h) = f (g(h)) = f (9 − h2 ) = 9 − h2 .
Para derivar a composição de funções acima vamos tomar a ∈ (0, 3), denotar y = g(h) e
calcular
f (g(h)) − f (g(a)) f (g(h)) − f (g(a)) g(h) − g(a)
(f ◦ g)′(a) = lim = lim
h→a h−a h→a g(h) − g(a) h−a
f (y) − f (g(a)) g(h) − g(a)
= lim lim = f ′ (g(a)) · g ′ (a),
y→g(a) y − g(a) h→a h−a

em que usamos o fato de que y = g(h) → g(a) quando h → a, visto que a função g é
contı́nua no ponto h = a, por ser derivável neste ponto. Note ainda que, na conta acima,
multiplicamos o numerador e o denominador por g(h) − g(a). Isso é permitido porque, como
g é descrescente, temos que g(h) 6= g(a) para todo h próximo (e diferente) de a.

Uma vez que f ′ (y) = 1/(2 y) e g ′(h) = −2h, segue da fórmula acima que
√ 1
( 9 − h2 )′ = (f ◦ g)′ (h) = f ′ (g(h))g ′(h) = f ′ (9 − h2 )(9 − h2 )′ = √ · (−2h).
2 9 − h2
Assim, podemos retomar a equação (1) para obter a derivada da função V :
√ √ √ −h
V ′ (h) = (3h)′ 9 − h2 + 3h( 9 − h2 )′ = 3 9 − h2 + 3h √ .
9 − h2
A equação V ′ (h) = 0 é então equivalente a
√ 3h2
3 9 − h2 = √ ,
9 − h2

2
ou ainda,
9 − h2 = h2 .

Desse modo, o único ponto do intervalo (0, 3) em que a derivada se anula é h0 = 3/ 2.
De acordo com as considerações feitas anteriormente essa deve ser a escolha da altura da
barraca para que tenhamos o maior volume possı́vel.
A conta que fizemos acima para calcular a derivada de uma composta pode ser utilizada
em várias outras situações. Ela é uma das mais importantes regras de derivação e pode ser
enunciada como se segue

Teorema 1 (Regra da Cadeia). Se g é derivável no ponto x = a e f é derivável no ponto


y = g(a), então a composição (f ◦ g) é derivável em x = a e vale a seguinte fórmula

(f ◦ g)′(a) = f ′ (g(a))g ′(a).

Antes de fazer alguns exemplos vamos observar que, na fórmula acima, a derivada da
função f é calculada no ponto y = g(a). Em um certo sentido, a regra afirma que a derivada
da composta é o produto das derivadas. É preciso somente tomar o cuidado de calcular as
derivadas nos pontos corretos do domı́nio das funções f e g.

Exemplo 1. Vamos calcular a derivada da função

h(x) = (x2 + 5 + sen(x))9 .

Para identificar a composição envolvida nesta função, vamos calcular a função h em um ponto
arbitrário, por exemplo em x = 0. Primeiro, temos que calcular 02 + 5 + sen(0) = 5. Em
seguida, elevamos este valor à potência 9 para obter h(0) = 59 . Note que foram necessários
dois passos, o que indica que temos a composição de duas funções. Mais especificamente, se
definirmos
g(x) = x2 + 5 + sen(x), f (y) = y 9,
temos que

(f ◦ g)(x) = f (g(x)) = f (x2 + 5 + sen(x)) = (x2 + 5 + sen(x))9 = h(x).

Uma vez que g ′ (x) = 2x + cos(x) e f ′ (y) = 9y 8 , segue da Regra da Cadeia que

h′ (x) = f ′ (g(x))g ′(x) = 9g(x)8 g ′ (x) = 9(x2 + 5 + sen(x))8 (2x + cos(x)).

Destacamos que a derivada acima poderia ter sido calculada multiplicando-se a função
g(x) por ela mesmo nove vezes e, em seguida, calculando-se a derivada de cada um dos
termos resultantes. Não é difı́cil perceber que seriam muitos termos, de modo que neste caso
o mais simples é mesmo usar a Regra da Cadeia. 

3

Exemplo 2. Para identificar a composição na função h(x) = tan( x) vamos proceder como

no exemplo acima, calculando a função em x = 4. O primeiro passo é 4 = 2. O segundo é
calcular a tangente deste valor para obter h(4) = tan(2). Deste modo, h(x) = f (g(x)), com
√ √
g(x) = x e f (y) = tan(y). Uma vez que g ′ (x) = 1/(2 x) e f ′ (y) = sec2 (y), temos que

d √ 2
√ d√ sec2 ( x)
tan( x) = sec ( x) · x= √ ,
dx dx 2 x

para todo x > 0. 

Exemplo 3. Em alguns casos podemos ter a composição de mais de duas funções. Quando
isto ocorre, a regra deve ser utilizada mais de uma vez. Por exemplo,
d √ √ d√ 2 √ 2x
cos( x2 + 1) = − sen( x2 + 1) x + 1 = − sen( x2 + 1) √ ,
dx dx 2 x2 + 1
para todo x ∈ R. 

Se y = y(u) e u = u(x), então a função y pode ser vista como uma função da variável x.
Neste caso, a Regra da Cadeia pode ser escrita como
dy dy du
= ,
dx du dx
dy
em que du é a derivada de função y vista como função de u, e du
dx
é a derivada de u com
respeito a x. O exemplo seguinte ilustra esta maneira de olhar para a regra.

1
Exemplo 4. A função y(x) = sec(x) = cos(x) pode ser vista como uma composição. De fato,
se fizermos u(x) = cos(x) e y(u) = u−1 , então y(x) = u(x)−1 = cos(x)−1 . Deste modo

d dy dy du 1 sen(x)
sec(x) = = = − 2 (− sen(x)) = = sec(x) tan(x),
dx dx du dx u cos2 (x)

em que usamos na penúltima igualdade o fato de que u(x) = cos(x). Evidentemente, a


derivada acima poderia também ter sido calculada usando-se a regra do quociente para
derivadas. 

4
Tarefa
O objetivo desta tarefa é determinar qual é o retângulo de maior
área que pode ser inscrito em uma circuferência de raio 4. Para
nos ajudar na tarefa exibimos ao lado um desenho contendo esta y
circunferência e a quarta parte do retângulo em questão.
x
1. Utilizando o desenho acima e lembrando que a equação da
circunferência é dada por x2 + y 2 = 16, verifique que a

altura y apontada na figura é dada por y = 16 − x2 .

2. Denotando por A(x) a área do retângulo (inscrito) cuja base mede 2x e altura 2y, use
o item acima para concluir que esta área é dada por

A(x) = 4x 16 − x2 , x ∈ (0, 4).
Conforme veremos nas semanas seguintes, o gráfico da função
A(x) tem o aspecto descrito na figura ao lado. Deste modo,
podemos argumentar como no caso da barraca para obter o ponto
x0 ∈ (0, 4) em que A atinge seu maior valor.

3. Usando as regras do produto e da cadeia, determine a de-


rivada A′ (x).
4. Determine o (único) ponto do intervalo (0, 4) em que a derivada se anula.

5. Usando o item acima, calcule a área máxima que pode ser obtida.

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