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A Mãe Desnecessária

O documento discute o conceito de "mãe desnecessária" e "mãe suficientemente boa". Uma boa mãe se torna desnecessária com o tempo para que os filhos se tornem autônomos. Uma mãe suficientemente boa frustra os desejos dos filhos de forma saudável para ajudá-los a se tornarem resilientes, em vez de tentar ser perfeita. Ser uma mãe ou pai suficientemente bom envolve explorar como nossas próprias experiências de infância influenciam nosso comportamento como pais.

Enviado por

Denise Morelli
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O documento discute o conceito de "mãe desnecessária" e "mãe suficientemente boa". Uma boa mãe se torna desnecessária com o tempo para que os filhos se tornem autônomos. Uma mãe suficientemente boa frustra os desejos dos filhos de forma saudável para ajudá-los a se tornarem resilientes, em vez de tentar ser perfeita. Ser uma mãe ou pai suficientemente bom envolve explorar como nossas próprias experiências de infância influenciam nosso comportamento como pais.

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A MÃE DESNECESSÁRIA

A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do


tempo. Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase, e ela sempre
me soou estranha. Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural
materno de querer colocar a cria embaixo da asa, protegida de todos os
erros, tristezas e perigos.

Uma batalha hercúlea, confesso. Quando começo a esmorecer na luta para


controlar a supermãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da frase,
hoje absolutamente clara. Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me
tornar desnecessária.
Antes que alguma mãe apressada me acuse de desamor, explico o que
significa isso.

Ser “desnecessária” é não deixar que o amor incondicional de mãe, que


sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a
ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes.
Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas
frustrações e cometer os próprios erros
também.

A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada


nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho.
Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não
pára de se transformar ao longo da vida. Até o dia em que os filhos se
tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo. O que
eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou
na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o
aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis. Pai e mãe –
solidários – criam filhos para serem livres.
Esse é o maior desafio e a principal missão. Ao aprendermos a ser
“desnecessários”, nos transformamos em porto seguro para quando eles
decidirem atracar.

O modelo de maternidade perfeita, com aquela cena da família sempre feliz,


com os filhos arrumadinhos e comportados, mães e pais radiantes e uma
casa toda organizada é cada vez mais incomum. As pessoas já não compram
mais esse ideal como antes e a maternidade perfeita se mostrou um caminho
inalcançável, e nesse trajeto muitas pessoas acabam se desgastando e
frustrando.
Um termo que tem se tornado cada vez mais difundido é o da mãe
suficientemente boa. O conceito foi apresentado pela primeira vez pelo
pediatra e psicanalista inglês Donald Winnicott, também defensor do
brincar como meio terapêutico para as crianças. Sua teoria sugere que
quando a mãe tenta ser perfeita acaba sofrendo mais do que deveria, pois
suas expectativas acabam sendo frustradas.

“O processo de se tornar uma mãe suficiente acontece ao longo do tempo e


encontrando a suficiência as mães também encontrarão a tranquilidade na
maternidade”, diz Mônica Pessanha, psicanalista de crianças e adolescentes
e palestrante.

A psicanalista explica que tentamos estar disponível constantemente e


responder imediatamente nossos filhos quando eles são bebês e isso é
importante para que eles se sintam seguros e amados. Mas também dá a
sensação ao bebê de que a mãe é uma extensão sua e que é ela quem supre
suas necessidades. Quando a mãe mostra ao filho que cada um é uma pessoa,
isso gera uma frustração natural na criança. A mãe suficientemente boa é
aquela que frustra o filho ao mostrar que ele não terá seus desejos
atendidos imediatamente, mas que também mostra que existe um tempo de
espera e um limite e que ele não é sua extensão. Fazendo isso com a criança
ainda pequena, a mãe está ajudando a se tornar uma pessoa resiliente.

A culpa…

“A maternidade é feita de aventuras, emoções, risos, lágrimas e de lições


também. A mãe suficiente consegue dar um significado positivo para a falha
porque ela sabe que pode tentar de novo”, explica a psicanalista. Portanto,
nem assim a culpa deixará de existir, mas o sentimento de ter falhado pode
ganhar um novo significado, cada vez mais leve.

E o pai?

Os pais, tão responsáveis pela criação dos filhos quanto as mães, também
sentem o peso da cobrança pela perfeição e a culpa. A diferença está na
intensidade do sentimento. “A função do pai, além de uma participação ativa
na vida dos filhos, é também de promover segurança emocional para a mãe,
para que ela tenha confiança em sua maternidade”, explica Mônica.

Mães e pais suficientemente bons

Tanto a maternidade, quanto a paternidade são reflexos vividos na nossa


infância, nossas lembranças, experiências e interpretações. E à medida em
que exploramos nosso autoconhecimento e percebemos comportamentos
nossos que são, na verdade, um reflexo do que vivemos na nossa infância,
fica mais fácil trabalhar naquilo para não repetir certas ações e falas com
nossos pequenos e, assim, construir uma nova realidade.

“Algumas mães e alguns pais, sem perceber, podem superproteger os filhos,


por exemplo, porque de alguma forma não foram protegidos na infância.
Esses comportamentos podem ser cortados para que gerações futuras se
formem. E é justamente esse o propósito da oficina que trabalho, lá
conseguimos trabalhar essas questões mais profundas e explorar novos
caminhos“, explica a psicanalista.

https://leiturinha.com.br/blog/mae-suficientemente-boa-entenda-esse-
termo/

https://www.geledes.org.br/a-mae-desnecessaria/

Dra Denise Morelli

Psicóloga Jurídica POLITEC-AP, Mestre em Educação, Especialista em


Criminologia, em Violência Doméstica Contra Crianças e Adolescente, Em
Perícia Criminal, Coordenadora Nacional da Especialização em Criminologia e
em Psicologia Jurídica e Inteligência Forense do INFOR, professora de
diversas Universidades em cursos de graduação em Direito e Psicologia,
Especializações e Mestrados, Palestrante Nacional e Internacional, Tutora
da Secretaria Nacional de Segurança Pública - SENASP.

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