Circuitos Eletricos RI
Circuitos Eletricos RI
NO DOMÍNIO DO TEMPO
E DA FREQÜÊNCIA
UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
Reitor
Naomar Monteiro de Almeida Filho
Vice-Reitor
Francisco Mesquita
Suplentes
Alberto Brum Novaes
Antônio Fernando Guerreiro de Freitas
Armindo Jorge de Carvalho Bião
Evelina de Carvalho Sá Hoisel
Cleise Furtado Mendes
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s/n – Campus de Ondina
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CIRCUITOS ELÉTRICOS
NO DOMÍNIO DO TEMPO
E DA FREQUÊNCIA
Newton B. de Oliveira
EDUFBA
Salvador - 2008
© 2008 by Newton B. de Oliveira
Revisão
Newton B. de Oliveira
ISBN 987-85-232-0513-3
CDD - 621.381
Apresentação 9
1 Generalidades 11
1.1 Histórico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
1.2 O circuito elétrico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
7
8 Newton Barros de Oliveira
Esse texto versa sobre a teoria, técnicas de análise e resolução de circuitos tanto no domı́nio
do tempo quanto no domı́nio das frequências.
Todas as crı́ticas e sugestões serão bem vindas e analisadas com a finalidade de corrigir
erros e omissões para que as futuras versões possam vir melhoradas.
9
Capı́tulo 1
Generalidades
1.1 Histórico
Os fenômenos elétricos ocorrem na natureza sob diversas formas que vão desde a simples
atração ou repulsão de objetos eletrificados até mesmo à emissão de luz bem como a in-
teração da radiação com a matéria. Em qualquer caso, podemos distinguir duas situações
importantes: o caso estático e o caso dinâmico associados respectivamente à existência de
cargas elétricas em repouso e em movimento.
Historicamente, o estudo da eletricidade iniciou-se pela observação dos fenômenos elétri-
cos estáticos e experimentos com fontes rudimentares de eletricidade como o ato de friccionar
objetos de materiais diferentes. O estudo evoluiu com o desenvolvimento dos geradores
eletrostáticos e dispositivos de armazenamento da eletricidade (capacitores).
A partir da invenção da pilha elétrica por Alessandro Volta (1745-1827) em 1799 foi
possı́vel manter um fluxo quase constante e de longa duração de cargas elétricas em movi-
mento. Uma nova classe de fenômenos elétricos pôde ser estudada, os fenômenos devidos à
movimentação das cargas que resultou na conexão entre duas ciências até então distintas,
a eletricidade e o magnetismo.
Desde que o homem aprendeu a controlar a eletricidade, mais particularmente, a con-
trolar o movimento das cargas elétricas, o progresso tem sido notável. Os fundamentos
da eletricidade e do magnetismo foram estabelecidos por Ampère, Oersted, Ohm, Gauss,
Henry, Faraday e outros. A escala cronológica seguinte mostra a evolução dos acontecimen-
tos mais importantes:
11
12 Newton Barros de Oliveira
as energias associadas a esses vetores preenchem todo o espaço. Nessa situação, dizemos
que a energia está nele distribuı́da. Contudo, existem situações em que a presença das
cargas bem como seus movimentos estão confinados a determinadas pequenas regiões e as
energias associadas à E e B podem ser consideradas, de modo aproximado, como estando
concentradas em algumas regiões do espaço correspondentes ao interior de certos disposi-
tivos. Esses dispositivos são caracterizados por algum parâmetro e falamos em dispositivo
de parâmetro concentrado. É o caso usual de um resistor, um capacitor ou um indutor.
Outras vezes não é possı́vel concentrar predominantemente uma única forma de energia
em uma pequena região do espaço. No interior do dispositivo coexistem duas formas de
energias e o dispositivo não pode ser caracterizado por um único parâmetro concentrado,
falamos então em parâmetros distribuı́dos. Uma linha de transmissão, um cabo coaxial por
exemplo, transmitindo um sinal de alta frequência é um bom exemplo dessa situação.
A distinção entre um dispositivo de parâmetro concentrado e outro de parâmetro dis-
tribuı́do está relacionado com a geometria (forma e dimensões) do dispositivo e o tempos
de propagação de E e B no interior do dispositivo. Para sinais periódicos e harmônicos, o
campo eletromagnético propagante pode ser caracterizado por um comprimento de onda.
Se as dimensões fı́sicas do dispositivo forem muito menores que o comprimento de onda
os vetores E e B praticamente não variarão ao longo da dimensão em consideração e o
dispositivo poderá ser considerado como de parâmetro concentrado. Por outro lado, se
as dimensões forem grandes ou da ordem do comprimento de onda haverá variação dos
vetores ao logo dessa dimensão e o dispositivo deverá ser considerado como de parâmetro
distribuı́do. Por exemplo, um longo capacitor de placas paralelas alimentado pelos extremos
das placas por uma fonte de tensão constante ou lentamente variável no tempo, produzirá
um campo elétrico praticamente constante no interior do capacitor tanto no espaço quanto
no tempo devido à distribuição superficial de cargas elétricas praticamente uniforme. A
energia estará predominantemente na forma de energia associada a este campo. Contudo,
se a fonte de tensão for rapidamente variável no tempo, as cargas elétricas não estarão uni-
formemente distribuı́das uma vez que elas estão associadas aos valores do campo elétrico
em propagação que não é constante nem no tempo nem no espaço. Haverá cargas em
movimento não uniforme e energias estarão associadas aos campos elétricos e magnéticos
variáveis. O dispositivo não mais poderá ser tratado como um simples capacitor mas sim
como uma linha de transmissão ou mesmo uma cavidade oscilante.
Quando o movimento das cargas elétricas se dá em um meio fı́sico de dimensões restritas
(fios) em uma trajetória fechada relativamente curta e as energias podem ser consideradas
como estando individualmente concentradas ao interior de certos dispositivos, falamos em
um circuito elétrico de parâmetros concentrados. Esse será o nosso objeto de estudo.
Capı́tulo 2
Trata-se dos circuitos elétricos em que as variáveis que descrevem o circuito são constantes
com relação ao tempo. Como variáveis entendemos as tensões elétricas e as correntes nos
diversos elementos que compõem o circuito.
onde:
qi é a carga elementar do i-ésimo tipo,
ni é a concentração (quantidade por unidade de volume) do i-ésimo tipo e
vi é a velocidade do i-ésimo portador de carga.
Podemos expressar a lei de conservação como
∂ρ
∇.J + =0 (2.2)
∂t
onde ρ é a densidade volumétrica de cargas e a corrente total que atravessa uma superfı́cie
S é dada por
15
16 Newton Barros de Oliveira
Z
dq
I= = J.nds (2.3)
dt S
A lei de Ohm microscópica é escrita como J = σE com σ constante (um tensor no caso
geral). A lei de Ohm macroscópica é escrita como V = RI onde R é constante.
i
A
v v = vAB = vA - vB
Ativo Passivo
i
Passivo Ativo
i v
A
Ativo Passivo
e
v = e = cte.
i
i i v
A A
Passivo
I ou I
I i
i = I = cte.
Ativo
B B
4. Diodo ideal. É um dipolo não-linear em que a corrente elétrica só pode passar em um
único sentido (sentido positivo ou sentido direto) e com d.d.p. nula. O outro sentido
(sentido negativo ou sentido inverso) não é permitido qualquer que seja o valor da
d.d.p. negativa (Fig. 2.7).
Observe que preferimos a curva caracterı́stica i versus v para representar o diodo.
i v
A
Passivo
i i
A
v
o v
i i A
i1 A
i2
v1 v2 Equivale a v v = v1 = v2
i = i1 + i2
B B
v1 i
A
i2 v Equivale a v vi == iv1=+i v2
1 2
v2
B
e2 e1 R2 i R1 i
i
B A
vAB
Temos:
vAB = R1 i + R2 i + ε1 + ε2 = (R1 + R2 )i + ε1 + ε2
2
X 2
X
vAB = i Rj + εj .
j=1 j=1
N
X M
X
vAB = i Rj + εj . (2.4)
j=1 j=1
N
X M
X
i Rj + εj = 0, (2.5)
j=1 j=1
iN
i1
ik+1
i2
ik
i3
N
X
ik = 0. (2.6)
k=1
vAB = Rv i + ε.
Conectando a um “resistor de carga RL ”formaremos uma malha cuja equação, obser-
vando que i é a corrente de referência com relação ao dipolo fonte, será
Rv i + ε + R L i = 0
ε
∴i=− .
Rv + R L
22 Newton Barros de Oliveira
e RV i e RV i
i i
B A
vAB
RL i
Figura 2.12: Modelo para fonte de tensão real e fonte conectada a um resistor de carga.
Como ε, Rv e RL são, por hipótese, todos positivos, a corrente i será negativa, signifi-
cando que o sentido real da corrente é oposto ao sentido tomado como referência. Parece
então ser mais conveniente adotarmos no caso das fontes, o sentido real da corrente para
fins de análise de d.d.p. entre os terminais A e B. Assim, definiremos
ε
i0 = −i =
Rv + R L
e ficaremos com
vAB = ε − Rv i0 (2.7)
cuja representação gráfica será a figura (Fig. 2.13).
v
Passivo e Ativo
e/RV i’
Passivo
Ao contrário da fonte ideal, onde vAB é constante, observamos agora que a tensão cai
com o aumento da corrente i0 (corrente real). Observe que não é possı́vel operar na região
passiva com a utilização de ε e RL positivos.
Em problemas mais complexos torna-se muito difı́cil descobrir por simples inspeção qual
é o sentido real da corrente de modo que, para sistematizar o processo, adotaremos uma
direção de referencia qualquer.
corrente. Uma fonte de corrente real pode ser obtida a partir da fonte ideal acrescentando-se
um resistor em paralelo pois, dessa maneira, podemos desviar parte da corrente i por fora
da fonte (Fig. 2.14).
i
A
iR
I Ri v
Temos que
i = iR + I
e
vAB = Ri iR
∴ vAB = Ri (i − I).
Na fonte de tensão ideal tı́nhamos vAB = Rv i + ε. Como as duas fontes devem ser
equivalentes deveremos ter as mesmas tensões e correntes. Então
Ri (i − I) = Rv i + ε
Ri = R v = R (2.8)
e
ε
I =− . (2.9)
R
Invertendo o sentido da fonte de corrente no diagrama teremos então a seguinte equi-
valência mostrada na figura (Fig. 2.15).
Ou seja, para transformar a fonte de tensão real em fonte de corrente real mantém-se o
mesmo valor da resistência interna trocando-se a configuração série para paralela e ajusta-se
o valor da fonte de corrente em I = ε/Rv com o sentido mostrado na figura (Fig. 2.15).
Nessas condições, dizemos que uma fonte é a dual da outra.
De acordo com a figura (Fig. 2.15), definindo a corrente i0 = −i fornecida por essa fonte
real teremos i0 = I − v/Ri . Portanto, a curva caracterı́stica passa a ter o aspecto da figura
(Fig. 2.16).
24 Newton Barros de Oliveira
i
A
i
A
iR
RV
Ri vAB
vAB
I=e/R
e
B
i’
I
i’ = I - v/Ri
i1=0 i2
A
v2
v1 v2 = a v1 a v1
i2
B
i1 i2
A
i2
b i1
b i1
v1 = 0 v2
v2
B
e
di
vL = L (2.11)
dt
para um capacitor com capacitância C e um indutor com indutância L. Utilizaremos os
seguintes sı́mbolos (Fig. 2.19):
iC A iL A
C vC L vL
B B
1 2
Um grafo é um desenho que mostre todos os nós e todas as ligações entre eles sem
mostrar o tipo de dipolo que faz a ligação (Fig. 2.21).
1 2 4
4
3
3 2
1 3
4 1 2
Definições:
• Chamamos de ramo (branch) a linha (que representa o dipolo) que une dois nós. No
exemplo temos 6 ramos.
• Qualquer percurso fechado que passe uma só vez em cada nó deste percurso chama-se
malha. No exemplo podemos identificar 7 malhas.
Circuitos Elétricos no Domı́nio do Tempo e da Frequência 27
• Um conjunto de ramos ligando todos os nós mas que não forme nenhuma malha é
chamado de árvore (tree). O exemplo anterior possui 12 árvores. Veja a figura (Fig
2.22).
1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2
3 3 3 3 3 3
4 4 4 4 4 4
1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2
3 3 3 3 3 3
4 4 4 4 4 4
Existe uma relação entre o número de nós e o número de ramos em uma árvore. Con-
sidere um ramo (um nó em cada extremidade) representando um dipolo. A cada dipolo
introduzido, sem fechar nenhum caminho, acrescentaremos mais um nó. Veja o desenho
seguinte (Fig 2.23) onde acrescentamos dois ramos (correspondentes a dois dipolos) à um
ramo original (correspondente ao dipolo original).
1 2 1 2
Figura 2.23: Exemplo de construção de uma árvore com três ramos e quatro nós a partir
de um ramo com a adição de mais dois ramos.
Observe que o número de ramos na árvore é igual ao número de nós menos uma unidade,
Rarv = N − 1. (2.14)
Os ramos que faltam à árvore para completar o grafo são chamados de vı́nculos (chords)
portanto, sendo M o número de vı́nculos teremos
M = R − Rarv (2.15)
onde R é o número de ramos do grafo e Rarv é o número de ramos da árvore. Sendo assim,
teremos
M = R − (N − 1) = R − N + 1. (2.16)
28 Newton Barros de Oliveira
R1 R2
e1 R3 e2
Vínculos
Optando-se pela variável tensão, orienta-se as tensões de acordo com a orientação ar-
bitrária do grafo (Fig. 2.27).
R1 R2
v1 v3 v2 v3 e 1 v1 R3 v3 v2 e 2
Observe que todas as tensões podem ser escritas em função da tensão do ramo da árvore,
v1 = −v3 e v2 = −v3 .
Estabelece-se correntes de acordo com as convenções pré-estabelecidas para os dipolos
(Fig. 2.28).
30 Newton Barros de Oliveira
R1 i1 i2 R2
i1 i2
i3
v1 v3 v2 e 1
v1 R3 v3 v2 e 2
i3
G3 v3 = G1 (−v3 − ε1 ) + G2 (−v3 − ε2 )
G1 ε1 + G 2 ε2
∴ v3 = − .
G1 + G 2 + G 3
Optando-se pela variável corrente, aplicaremos a primeira lei de Kirchoff a cada malha
independente. Obteremos um sistema de equações independentes em função das correntes
que passam pelos vı́nculos, também chamadas de correntes de malha. A resolução desse
sistema resultará no conhecimento das correntes nos vı́nculos e consequentemente todas as
demais correntes.
Observação: Transformar todos os geradores de corrente em geradores de tensão antes
de iniciar o processo.
Consideremos o exemplo anterior mantendo a mesma orientação do grafo (Fig. 2.29).
Cada vı́nculo acrescentado à árvore define uma malha. Consideremos a corrente que
passa pelo vı́nculo como sendo a corrente de malha mantendo o mesmo sentido da orientação
do vı́nculo no grafo (Fig. 2.30).
Circuitos Elétricos no Domı́nio do Tempo e da Frequência 31
Vínculos
im1 im2
Árvore
Vínculos adicionados
Observe que todas as correntes podem ser escritas em função de im1 e im2 (Fig. 2.31).
i1 = −im1
i2 = −im2
i3 = −(im1 + im2 )
R1 i1 i2 R2
i3
e1
im1 R3 im2 e 2
Aplicando a lei de Kirchoff para as correntes de malha nas duas malhas teremos
ou mesmo
(R1 + R3 )im1 + R3 im2 = ε1
e
R3 im1 + (R2 + R3 )im2 = ε2
cuja resolução fornece
ε1 (R2 + R3 ) − ε2 R3
im1 =
R1 R2 + R 2 R3 + R 1 R3
e
ε2 (R1 + R3 ) − ε1 R3
im2 =
R1 R2 + R 2 R3 + R 1 R3
Com o objetivo de sistematizar a resolução do circuito, costumamos orientar as duas
malhas no mesmo sentido. Veja (Fig.2.32).
R1 i1 i2 R2
i3
e1 im1’ R3 im2’ e
2
O sistema de equações é semelhante ao anterior, basta trocar i m1 por i0m1 e im2 por
−i0m2 .
Além disso, multiplicaremos a última linha por −1 para colocar em uma forma mais
conveniente. Fica então
observe que os termos ao lado da diagonal principal possuem o mesmo sinal o que caracteriza
uma matriz simétrica.
Podemos observar que, em geral, é possı́vel formular as equações da seguinte forma;
onde
rii = soma das resistências na malha i.
rij =(−)Psoma das resistências comuns às malhas i e j.
P +εi se estiver no mesmo sentido da malha
i = −εi se estiver no sentido oposto da malha
0 se não houver fonte na malha
Obs: imi deve ter o mesmo sentido da malha e as malhas devem ser orientadas no mesmo
sentido!
Em notação matricial teremos,
r11 . . . r1M im1 1
. . . . . . .
R × I = E ou . . . . .
. = . . (2.21)
. . . . . . .
rM 1 . . . rM M imM M
Multiplicando ambos os lados da equação pela matriz inversa R−1 teremos
R−1 × (R × I) = R−1 × E
∴ I = R−1 × E (2.22)
i1 + i 2 + i 4 = 0
i2 + i 3 − i 5 = 0
i1 − i3 − i6 = 0.
R1
I1
e 1 R1
1 3 1 3
R2 2 R3 2 R3
R6 R2 R6
R4 R5 R4 R5
e 2
I2
4 4
vn1-vn3
i1
i2 i3
1 3
vn1-vn2 2 v -v
i4 i5
n3 n2
i6
vn2
vn1 vn3
ou em notação matricial
G1 + G 2 + G 4 −G2 −G1 vn1 I1
−G2 (G2 + G3 + G5 ) −G3 × vn2 = 0
−G1 −G3 G1 + G 3 + G 6 vn3 −I1 − I2
Circuitos Elétricos no Domı́nio do Tempo e da Frequência 35
ou então
g11 . . . g1 N −1 b
. . . . . vn1 I1
. . . . . × vn2 =
Ib2
. . . . . vn3 Ib3
gN −1 1 . . . gN −1 N −1
onde
gii = soma das condutâncias concorrentes ao nó i,
gij =(−)soma das condutâncias que ligam o nó i ao nó j,
(+) soma das fontes de corrente que chegam ao nó i,
Ibi = (−) soma das fontes de corrente que partem do nó i,
0 se não houver fonte ligada ao nó i.
Também podemos escrever como
G × V = bI
V = G−1 × bI
6
7 2 7
5 8 8
4 9 9
1 3 10
10
Suponhamos que a cada ramo corresponda uma resistência no circuito que originou o
grafo. A cada vı́nculo acrescentado na árvore (um de cada vez) corresponderá uma malha
independente cuja orientação será, por definição, a mesma do vı́nculo. Essa malha receberá
uma denominação numérica idêntica à do vı́nculo, ou seja, o vı́nculo 1 definirá a malha 1,
o 3 definirá a malha 3 e assim por diante.
Construiremos uma tabela malha x ramo e a preencheremos com -1 ou 1 de acordo se
o ramo tiver orientação contrária ou igual à malha e preencheremos com zero se não houver
o ramo nessa malha.
36 Newton Barros de Oliveira
Ra1 Ra2 Ra3 Ra4 Ra5 Ra6 Ra7 Ra8 Ra9 Ra10
Ma1 1 0 0 0 0 0 1 -1 1 1
Ma2 0 1 0 0 0 0 0 1 -1 0
Ma3 0 0 1 0 0 0 0 0 -1 -1
Ma4 0 0 0 1 0 0 1 -1 0 0
Ma5 0 0 0 0 1 0 0 -1 1 1
Ma6 0 0 0 0 0 1 -1 1 -1 0
As linhas dessa tabela darão os coeficientes das tensões dos ramos que comporão as
equações das malhas. Por exemplo, para a malha 1 teremos:
1v1 + 0v2 + 0v3 + 0v4 + 0v5 + 0v6 + 1v7 − 1v8 + 1v9 + 1v10 = 0
v1 + v7 − v8 + v9 + v10 = 0
v2 + v 8 − v 9 = 0
v3 − v9 − v10 = 0
v4 + v 7 − v 8 = 0
v5 − v8 + v9 + v10 = 0
v6 − v 7 + v 8 − v 9 = 0
As colunas da tabela darão os coeficientes das correntes de malha que comporão as
correntes que passam nos ramos, assim teremos:
i1 = im1
i2 = im2
i3 = im3
i4 = im4
i5 = im5
i6 = im6
i7 = im1 + im4 − im6
i8 = −im1 + im2 − im4 − im5 − im6
i9 = im1 − im2 − im3 + im5 − im6
i10 = im1 − im3 + im5
Suponhamos, por exemplo, que as resistências dos ramos tem os seguintes valores em
ohms: R1 = 2, R2 = 1, R3 = 5, R4 = 3, R5 = 4, R6 = 7, R7 = 6, R8 = 10, R9 = 8 e
R10 = 9. Suponhamos também que exista um gerador de tensão ε2 = 10 volts em série com
R2 e com a mesma orientação do vı́nculo como mostrado na (Fig.2.36).
Circuitos Elétricos no Domı́nio do Tempo e da Frequência 37
e 2
R2 i2
2
i2
v2
v1 = 2i1 v6 = 7i6
v2 = −10 + 1i2 v7 = 6i7
v3 = 5i3 v8 = 10i8
v4 = 3i4 v9 = 8i9
v5 = 4i5 v10 = 9i10
v1 = 2im1 v6 = 7im6
v2 = −ε2 + im2 v7 = 6 (im1 + im4 − im6 )
v3 = 5im3 v8 = 10 (−im1 + im2 − im4 − im5 + im6 )
v4 = 3im4 v9 = 8 (im1 − im2 − im3 + im5 − im6 )
v5 = 4im5 v10 = 9 (im1 − im3 + im5 )
Observe que com esse processo a matriz das resistências correspondente continua simétri-
ca. Porém, os termos fora da diagonal nem sempre são negativos devido à não planaridade
do grafo.
D1 D2 DM
im1 = , im2 = , ..., imM = (2.24)
∆ ∆ ∆
onde ∆ é o determinante da matriz das resistências e Dj é o determinante da matriz obtida
pela troca da j-ésima coluna da matriz das resistências pela coluna do vetor coluna das
tensões. Por exemplo:
r11 1 r13 . . . r1M
r21 2 r23 . . . r2M
. . . . . . .
D2 = (2.25)
. . . . . . .
. . . . . . .
r M 1 M r M 3 . . . r M M
Seja o sistema
assim
230 150 140
im1 = , im2 = , im3 = .
43 43 43
Um procedimento análogo será usado quando os sistemas forem formulados em termos das
variáveis tensão.
R1 R2 R1 R2 R1 R2
i3 i’3 i’’3
e 1
v3 R3 e e
2 1
v’3 R3 v’’3 R3 e 2
Figura 2.37: Circuito original, circuito com uma fonte e circuito com a outra fonte.
I = R−1 × E. (2.26)
E = E0 + E00 (2.27)
automaticamente teremos
I = I0 + I00 (2.28)
pois o produto de matrizes é associativo, ou seja,
Em outras palavras, a superposição das fontes equivale a fazer a superposição das cor-
rentes e consequentemente das tensões.
Observação importante: ao retirar a fonte de tensão deveremos colocar um
curto-circuito em seu lugar e ao retirar a fonte de corrente deveremos deixar o
circuito aberto.
• Fonte de tensão εT h = fonte cujo valor de tensão é igual à tensão que se obtém nos
terminais do circuito quando se desconecta o elemento passivo externo.
i RTh i
Onde
-i
Circuito A e Th
Circuito A’ v RTh
Figura 2.39: Circuito original sem o resistor externo e circuito original sem o resistor externo
e com as fontes internas zeradas.
v’
Circuito A Rext
Ajustemos a tensão no gerador até o ponto em que a corrente em R ext seja nula. Nessa
situação, podemos imaginar que a corrente nula é a superposição da corrente original i com
uma corrente i0 tal que i = −i0 . Como a corrente total é nula, a tensão nos terminais do
Circuitos Elétricos no Domı́nio do Tempo e da Frequência 41
circuito A deve ser idêntica à do gerador de tensão que foi adicionado uma vez que a tensão
sobre Rext é nula (corrente zero). Rext pode então ser desconectado do circuito, pois não
passa corrente por ele. Chamaremos de εT h a tensão nos terminais do circuito A, ver (Fig.
2.41).
Circuito A e Th
Figura 2.41: Circuito original sem a resistência externa e definição da tensão de Thévenin.
Circuito A’ Rext
Figura 2.42: Circuito original com fontes internas anuladas, gerador externo inserido e
resistência externa .
R1 = 8 W
e1 = 10 V R2 = 16 W Rext = 4 W
RTh = 5,33 W
v 16//4
i= , v= 10 = 2, 86 volts
Rext 8 + (16//4)
2, 86
∴i= ≈ 0, 71 ampéres.
4
No circuito equivalente teremos
6, 66
i= ≈ 0, 71 ampéres.
5, 33 + 4
i i
INt
Figura 2.46: Circuitos para determinar o valor da fonte de corrente e do resistor no teorema
de Norton.
R1 = 8 W
R2 = INt
e = 10 V
1
16 W Rext = RNt Rext = 4 W
4W
Exercı́cio:
No circuito da (Fig.2.50) determine as correntes em todos os resistores. Determine o circuito
equivalente de Thévenin para os terminais AB e calcule a corrente no resistor R 5 . Compare
os resultados.
44 Newton Barros de Oliveira
R1 = 8 W
R2 =
e 1 = 10 V INt = 10/8 = 1,25 A
16 W
i
1,25 A 5,33 W
Rext = 4 W
Dados:
Na figura (Fig. 2.51) temos um grafo e uma ávore para o circuito. Podemos ver que
N = 4, R = 6, M = R − N + 1 = 3 e N − 1 = 3
R1 R2
R5
R3
e R4
i1 i5
1 i2
im1 2
i3
3 im3 5
im2 4
i4
6
i6
temos também
0 −8 −2 14 0 −2 14 −8 0
D1 = 12 18 −10 = 1680, D2 = −8 12 −10 = 2472, D3 = −8 18 12 = 1872
0 −10 15 −2 0 15 −2 −10 0
portanto
1680 2472 1872
im1 = = 1, 63 A, im2 = = 2, 40 A, im3 = = 1, 82 A.
1028 1028 1028
Então
i1 = im1 = 1, 63 A,
i2 = im1 − im3 = 1, 63 − 1, 82 = −0, 19 A,
i3 = im1 − im2 = 1, 63 − 2, 40 = −0, 77 A,
i4 = −im3 + im2 = −1, 82 + 2, 40 = 0, 58 A,
i5 = im3 = 1, 82 A,
i6 = im2 = 2, 40 A.
Vejamos agora o circuito equivalente de Thévenin. Calculando εT h desconectando R5
fica o circuito da (Fig. 2.52).
46 Newton Barros de Oliveira
A
R1=
R2 = 2 W
i4W
1
iF R3=
8W R4 = 10 W
12 V
εT h = vAB = ε − R1 i1 = 12 − 0, 51.4 = 9, 96 V.
R1= R2= 2 W
4W
R3=
8W R4= 10 W
2,46 W i
3W
9,96 V
9, 96
i= ≈ 1, 82 A.
3 + 2, 46
2.7 Quadripolos
Consideremos agora um dispositivo de 4 terminais, dois dos quais serão considerados como
terminais de entrada e dois que serão considerados como terminais de saı́da. Associaremos
ao quadripolo variáveis de tensão e de corrente, tanto na entrada como na saı́da, como
representado na (Fig. 2.55) e convencionando os sentidos mostrados como sendo os sentidos
positivos.
i1 i2
RF i1 i2
e v1 Quadripolo v2 RL
R1
R2
R4
R5 R3
R6
i1 i2
“Terra”
Observe que esses elementos podem ser determinados a partir de um ensaio da seguinte
maneira:
Se colocarmos a saı́da do quadripolo em aberto teremos i2 = 0. Portanto
v1 = z11 i1 + z12 0
logo
v1
z11 = .
i1 i2 =0
v2 = z21 i1 + z22 0
logo
v2
z21 = .
i1 i2 =0
v1 = z11 0 + z12 i2
v1
∴ z12 =
i2 i1 =0
e
v2 = z21 0 + z22 i2
v2
∴ z22 = .
i2 i1 =0
Pelo fato de termos aberto a entrada ou a saı́da do quadripolo para determinarmos
as impedâncias zij , as designaremos como “impedâncias de circuito aberto”(ou open-
circuit impedance).
Por outro lado, poderı́amos ter escolhido as tensões como variáveis independentes, o
inverso do caso anterior. Assim,
onde vemos que yij tem dimensão de admitância. Nesse caso, o quadripolo fica especificado
pela matriz
y11 y12
. (2.35)
y21 y22
Se colocarmos a saı́da em curto-circuito, v2 = 0, teremos
i1
i1 = y11 v1 ∴ y11 =
v1 v2 =0
i2
i2 = y21 v1 ∴ y21 = .
v1 v2 =0
Se colocarmos a entrada em curto-circuito, v1 = 0, teremos
i1
i1 = y12 v2 ∴ y12 =
v2 v1 =0
i2
i1 = y22 v2 ∴ y22 = .
v2 v1 =0
Como colocamos a entrada ou a saı́da em curto circuito para determinar os parâmetros
yij , os designaremos por “admitâncias de curto-circuito”.
Observe que é possı́vel relacionar os parâmetros zij com os parâmetros yij pois,
i1 y y12 v
= 11 × 1
i2 y21 y22 v2
−1
v y11 y12 i
∴ 1 = × 1
v2 y21 y22 i2
mas por outro lado havı́amos definido que
v1 z z12 i1
= 11 ×
v2 z21 z22 i2
e
z22 z12 z21 z11
y11 = , y12 = − , y21 = − , y22 = .
∆z ∆z ∆z ∆z
Outra escolha possı́vel é considerar as variáveis tensão de saı́da e corrente de saı́da como
variáveis independentes escrevendo
Chamamos
1 v2
= de ganho de tensão em circuito aberto, (2.40)
A v1 i2 =0
1 i2
− = de admitância de transferência em curto-circuito, (2.41)
B v1 v2 =0
1 v2
= de impedância de transferência em circuito aberto e (2.42)
C i1 i2 =0
1 i2
− = de ganho de corrente em curto-circuito. (2.43)
D i1 v2 =0
Matricialmente teremos
v1 A B v2
= × (2.44)
i1 C D −i2
e inversamente,
−1
v2 A B v
= × 1 (2.45)
−i2 C D i1
ou
v2 1 D −B v1
= × (2.46)
−i2 AD − BC −C A i1
52 Newton Barros de Oliveira
onde
A0 B0
é chamada de matriz de transferência inversa. (2.48)
C0 D0
vj Quadripolo ik ij Quadripolo vk
ik ij i2 i1
= ou = (2.49)
vj vk v1 v2 =0 v2 v1 =0
ou ainda
y21 = y12 que implica z21 = z12 . (2.50)
Mostremos que para quadripolos recı́procos vale a relação
AD − BC = 1. (2.51)
v2 = z21 i1 + z22 i2
1 z22
∴ i1 = v2 − i2 (2.52)
z21 z21
e comparando com a equação (2.39)
i1 = Cv2 − Di2 ,
concluiremos que
1 z22
C= eD= . (2.53)
z21 z21
Circuitos Elétricos no Domı́nio do Tempo e da Frequência 53
A0 D0 − B 0 C 0 = 1. (2.55)
i1 r1 i2
v1 r2
a v2 b i1 v2
1. Ganho de tensão
v2
Kv ≡ (2.64)
v1
2. Ganho de corrente
i2
Ki ≡ (2.65)
i1
Circuitos Elétricos no Domı́nio do Tempo e da Frequência 55
RF i1 i2
eF v1 Quadripolo v2 RL
3. Impedância de entrada
v1
Zi ≡ (2.66)
i1
4. Impedância de saı́da
v2
Zo ≡ (2.67)
i2 s/ excitação
Vejamos agora como uma resistência de carga RL é transformada pelo quadripolo, apa-
recendo na sua entrada com um outro valor.
Tomemos os parâmetros de transmissão:
v1 = Av2 − Bi2
i1 = Cv2 − Di2
com
v2
RL = − .
i2
Dividindo a tensão de entrada pela corrente de entrada
Como v1 /i1 é a impedância vista na entrada do quadripolo, podemos afirmar que a re-
sistência de carga RL é transformada pelos parâmetros do quadripolo para um novo valor.
Tudo se passa como se na entrada do quadripolo estivesse conectado internamente uma
resistência de valor
ARL − B
.
CRL − D
Perguntamos agora, existe algum valor de resistência (impedância no caso geral) que,
quando conectada na saı́da do quadripolo, apareça na entrada com o mesmo valor? Se
existir deveremos ter
v1
= RL
i1
logo
ARL + B
RL =
CRL + D
2 D−A B
∴ RL + RL − = 0.
C C
56 Newton Barros de Oliveira
• Rede T
i1 i2
Z1 Z2
v1 Z3 v2
v1 = Z1 i1 + Z3 (i1 + i2 ) = (Z1 + Z3 ) i1 + Z3 i2
v2 = Z2 i2 + Z3 (i1 + i2 ) = Z3 i1 + (Z2 + Z3 ) i2
como
v1 = z11 i1 + z12 i2
v2 = z21 i1 + z22 i2
teremos
z11 = Z1 + Z3 z12 = Z3 (2.69)
z21 = Z3 z22 = Z2 + Z3 . (2.70)
Podemos portanto determinar Zi em função dos parâmetros de impedância do quadri-
polo
Z1 = z11 − z12 Z2 = z22 − z12 Z3 = z12 = z21 (2.71)
Circuitos Elétricos no Domı́nio do Tempo e da Frequência 57
• Rede π
i1 i2
Z3
v1 Z1 Z2 v2
Zπ1 Zπ3
ZT 1 = (2.80)
Zπ1 + Zπ2 + Zπ3
Zπ2 Zπ3
ZT 2 = (2.81)
Zπ1 + Zπ2 + Zπ3
Zπ1 Zπ2
ZT 3 = . (2.82)
Zπ1 + Zπ2 + Zπ3
Associação de quadripolos
Dois quadripolos podem ser associados das seguintes formas:
i1 i2
v1 v2
i1 i2
i1’ i2’
v1 Quadripolo’ v2
i1’’ i2’’
Quadripolo’’
i1 i2’
v1’ Quadripolo’ v2
v1
i1 i2’’
v1’’ Quadripolo’’
i1’ i2
v1 Quadripolo’ v2’
v2
i1’’ i2
Quadripolo’’ v2’’
i1 i2
v1 Quadripolo’ Quadripolo’’ v2
Exemplo:
Determinar os parâmetros z e y para o quadripolo da (Fig. 2.69).
i1 1 W 1W i2
v1 2W 0,5 W v2
Temos as relações
v1 = z11 i1 + z12 i2
v2 = z21 i1 + z22 i2
então
v1
z11 = = [(1 + 0, 5) //2] + 1 = (1, 5//2) + 1 = 1, 86 Ω
i1 i2 =0
Circuitos Elétricos no Domı́nio do Tempo e da Frequência 61
e
v1
z12 = .
i2 i1 =0
Nessa condição (i1 = 0) o resistor de 1 ohm da esquerda não contribui para a tensão v1 e
pode ser desprezado. A corrente i2 será dividida entre o resistor de 0,5 ohm e a associação
em série do resistor de 1 ohm com o de 2 ohms conforme a (Fig. 2.70).
1W i2
i’
v1 2W 0,5 W v2
Figura 2.70: Rede de resistores sem o resistor de 1 ohm da esquerda para o cálculo de z 12 .
Teremos então
0, 5
i0 = i2
1 + 2 + 0, 5
e
0, 5
v1 = 2i0 = 2 i2
3, 5
0, 5
∴ z12 = 2 ≈ 0, 28 Ω.
3, 5
Calculando
v2
z21 =
i1 i2 =0
i1 i’ 1 W
2W 0,5 W v2
2
i0 = i1
2 + 1 + 0, 5
e
0, 5 × 2
v2 = 0, 5i0 = i1 ≈ 0, 28i1
3, 5
∴ z21 = 0, 28 Ω
62 Newton Barros de Oliveira
∴ z22 = (2 + 1) //0, 5 ≈ 0, 43 Ω.
Então podemos escrever
v1 = 1, 86i1 + 0, 28i2
v2 = 0, 28i1 + 0, 43i2
1, 86 0, 28
(zij ) = ⇒ ∆z = 1, 86 × 0, 43 − 0, 282 = 0, 72.
0, 28 0, 43
Os parâmetros yij podem então ser calculados por
z22 0, 43 z12 0, 28
y11 = = ≈ 0, 6 Ω−1 y12 = − =− ≈ −0, 39 Ω−1
∆z 0, 72 ∆z 0, 72
z21 0, 28 z11 1, 86
y21 = − =− ≈ −0, 39 Ω−1 y22 = − = ≈ 2, 58 Ω−1
∆z 0, 72 ∆z 0, 72
ZF i1 i2
vF v1 Quadripolo v2 ZL
Figura 2.72: Quadripolo alimentado por uma fonte real e com impedância de carga.
∆g
z21 z22 − y∆21y y11
∆y
1
C
D
C
∆0T A0 − hh22
21 1
h22
g21
g11 g11
C0 C0
z22 1 ∆g g12
∆z − z∆12z y11 y12 D
B − ∆BT A0
B0 − B10 h11 − hh12
11 g22 g22
− z∆21z z11
∆z y21 y22 − B1 A
B − ∆BT00 D0
B0
h21
h11
∆h
h11 − gg21 1
g22
22
0
B0
z11
z21
∆z
z21
− yy21
22
− y121 A B
D
∆T 0 ∆T 0 − h∆21h − hh11 1
g21
g12
g21
21
1 z22 ∆ ∆g
z21 z21 − y21y − yy21
11
C D C0
∆T 0
A0
∆T 0
− hh22
21
− h121 g11
g21 g21
z22
z12
∆z
z12
− yy12
11 1
− y12 D
∆T
B
∆T A 0
B0 1
h12
h11
h12
∆
− g12g − gg12
22
1 ∆
z12
z11
z12 − y12y − yy12
22 C
∆T
A
∆T
C0 D0 h11
h12
∆h
h12 − gg11 − g112
12
y12 g22
∆z z12 1
− g∆12g
0
z22 z22 y11 − y11 B ∆T B 1
h11 h12 ∆g
D D A0 A0
∆y
− zz22
21 1
z22
y21
y11 y11
1
−D C
D − ∆AT0 0 C0
A0
h21 h22 − g∆21g g11
∆g
1 z12 ∆y y12 h22
z11 − z11 y22 y22
C
A − ∆AT C0
D0 − D10 ∆h − h∆12h g11 g12
z21 ∆z 1 ∆T 0
z11 z11 − yy21
22
1
y22 A
B
A D0
B0
D0
− h∆21h h11
∆h
g21 g22
65
Capı́tulo 3
onde:
A= amplitude (constante),
ω= frequência angular em rad/s,
φ= fase na origem em rad,
t= tempo em s, −∞ < t < ∞.
O perı́odo T é definido como o intervalo de tempo tal que, sendo n um número inteiro,
f (t + nT ) = f (t)
67
68 Newton Barros de Oliveira
Im
Re
ou n o
f (t) = Re Aej(ωt+φ) (3.3)
representado graficamente como um vetor girante F(t) no plano complexo (Fig. 3.2).
Im
wt+f
f(t) Re
F = Aejα e F∗ = Ae−jα
com α = ωt + φ, teremos dois vetores girantes em sentidos opostos (Fig. 3.3) e a soma
Im
wt+f
- (w t + f)
Re
F*
h i
F + F∗ = A ej(ωt+φ) + e−j(ωt+φ) = A [cos(ωt + φ) + j sin(ωt + φ) + cos(ωt + φ) − j sin(ωt + φ)]
F + F∗ = 2A [cos(ωt + φ)]
1
∴ f (t) = A cos(ωt + φ) = [F + F∗ ] . (3.4)
2
Im
~
F
Re
di
relacionados por uma derivada (vL = L dt ) assim, ao derivar um sinal senoidal podemos
encurtar a notação da seguinte maneira:
n o h i
df (t) d
= Re Fe e jωt = Re d Fe e jωt = Re F e d ejωt
dt dt dt dt
df (t) n o
∴ e jωt
= Re jω Fe
dt
compare agora com n o
e jωt .
f (t) = Re Fe
Observe a correspondência
e
f (t) → F
df (t) e
→ jω F. (3.6)
dt
O fasor jω F e é um fasor ω vezes maior que F e girado de π/2 com relação a F e como
mostra a (Fig 3.5). Podemos dizer então que, derivar no domı́nio do tempo corresponde a
multiplicar por jω no domı́nio da frequência. Vejamos o que ocorre ao integrar f (t) .
Im
~
jwF
~
F
. f
Re
Z Z n o Z
f (t)dt = e jωt dt = Re
Re Fe e jωt dt = Re 1 Fe
Fe e jωt .
jω
Circuitos Elétricos no Domı́nio do Tempo e da Frequência 71
Im
~
F
f
.
~ Re
F/(jw)
Observe a correspondência
e
f (t) → F
Z
1 e
f (t)dt → F. (3.7)
jω
Um exemplo simples mostrará a utilidade dessa representação:
Considere um circuito RC excitado por uma tensão cossenoidal v(t) (Fig. 3.7). Admita
que no regime estacionário a corrente que passa pelo circuito também seja cossenoidal
podendo estar defasada da excitação.
v(t) = v0 cos(ωt + φ) (3.8)
i(t) = i0 cos(ωt + α). (3.9)
i(t) R
v(t) ~ C
e n o
e jωt ,
v(t) = Re {V(t)} = Re Ve e = v0 ejφ .
V
Em termos fasoriais a equação diferencial complexa torna-se uma equação algébrica
1 1 e jωt
ReIejωt + Ie e jωt
= Ve
C jω
ou
1 e e
ReI + I=V
jωC
e
V e
V 1 1
∴ eI = 1 = , e =R+
Z =R−j .
R + jωC e
Z jωC ωC
Veja (Fig. 3.8) e (Fig. 3.9).
~
Im I
jwC
~
RI
-q ~
V
f a
Re
Im
R
-q Re
1
jwC ~
Z
~ ~
F Arg (F)
A
f
w ou f w ou f
a um indutor formando um circuito RLC. Observa-se nesse circuito que, após a conexão,
estabelece-se uma corrente oscilatória amortecida desde que o resistor seja menor que um
certo valor crı́tico.
No domı́nio do tempo escreveremos:
onde a constante σ é real, positiva ou negativa. Quando σ < 0 temos uma oscilação
decrescente no tempo e a constante γ = −σ é conhecida como constante de amortecimento.
Veja a (Fig. 3.11) para σ < 0.
f(t)
2.5
1.25
0
-1.25 0 1.25 2.5 3.75 5
t
-1.25
-2.5
Essa função não é periódica mas corta o eixo dos tempos em intervalos de tempo iguais
e por isso dizemos que ela é “pseudo-periódica”.
nesse caso, definimos Aeσt como sendo uma amplitude função do tempo. Representamos
na figura (Fig. 3.12) onde α = ωt + φ e σ < 0.
Por dois vetores girantes Podemos, como no caso da excitação senoidal pura, escrever
o sinal também como
1 1 n σt h j(ωt+φ) io
f (t) = {F(t) + F∗ (t)} = Ae e + e−j(ωt+φ) .
2 2
Circuitos Elétricos no Domı́nio do Tempo e da Frequência 75
Im
Re
Definimos
s = σ + jω, como a frequência complexa
e
e = Aejφ ,
F como a amplitude complexa.
Ou seja n o
e st .
f (t) = Re Fe
Observe as correspondências
e
f (t) → F, (3.11)
df (t) e = (σ + jω) F,
e
→ sF (3.12)
dt
Z e e
F F
f (t)dt → = , (3.13)
s (σ + jω)
√
e é um vetor com amplitude σ 2 + ω 2 vezes maior que F
(σ + jω) F e girado de um ângulo
e (θ > 0 no sentido anti-horário). Veja a (Fig. 3.13).
θ =arc tan(ω/σ) com relação à F
76 Newton Barros de Oliveira
Im
~
sF
~
F
q
f
Re
jw
.s
o s
. s*
Essas condições são o caso periódico das condições de Dirichlet (condições de Dirich-
let dentro de um perı́odo). Pode-se demonstrar, nesse caso, que a função f (t) pode ser
desenvolvida em uma série trigonométrica do tipo
∞
X
f (t) = a0 + [an cos (nω0 t) + bn sen (nω0 t)] , t0 < t < t 0 + T0 (3.14)
n=1
onde
2π
ω0 = = 2πf0
T0
e a0 , an e bn são constantes a determinar.
Essa série é conhecida como série de Fourier na forma trigonométrica.
Determinemos agora os coeficientes da série. Para isso começemos por integrar f (t) num
intervalo igual ao perı́odo,
Z t0 +T0 Z t0 +T0 Z t0 +T0 (X
∞
)
f (t)dt = a0 dt + [an cos (nω0 t) + bn sen (nω0 t)] dt
t0 t0 t0 n=1
X∞ t0+T0
an bn
= a 0 T0 + sen (nω0 t) − cos (nω0 t) = a 0 T0
n=1
nω0 nω0 t 0
pois
t +T0 2π 2π 2π 2π
[sen (nω0 t)]t00 = sen n (t0 + T0 ) −sen n (t0 ) = sen n (t0 ) −sen n (t0 ) = 0
T0 T0 T0 T0
t
o mesmo vale para o termo [cos (nω0 t)]t0+T0 .
0
Sendo assim,
Z t0 +T0
1
a0 = f (t)dt (3.15)
T 0 t0
ou seja, a0 é o valor médio de f (t) no intervalo igual ao perı́odo (t0 → t0 +T0 ). Denominamos
a0 de componente contı́nua do sinal f (t), podendo inclusive ser nula.
Para calcular os outros coeficientes, consideremos o fato das funções cos (nω 0 t) e sen
(nω0 t) formarem um conjunto de funções ortogonais, no sentido que
Z t0 +T0
0 se n6=m
[cos (nω0 t) cos (mω0 t)] dt = T0 ,
t0 2 se n=m
Z t0 +T0
0 se n6=m
[sen (nω0 t) sen (mω0 t)] dt = T0
t0 2 se n=m
78 Newton Barros de Oliveira
e Z t0 +T0
[cos (nω0 t) sen (mω0 t)] dt = 0, ∀ n, m.
t0
Z Z ( ∞
)
t0 +T0 t0 +T0 X
[a0 cos (mω0 t)] dt + [an cos (nω0 t) + bn sen (nω0 t)] cos (mω0 t) dt =
t0 t0 n=1
∞
" Z # ∞
" Z #
X t0 +T0 X t0 +T0
0+ an cos (nω0 t) cos (mω0 t) dt + bn sen (nω0 t) cos (mω0 t) dt =
n=1 t0 n=1 t0
T0
am
2
logo
Z t0 +T0
2
an = [f (t) cos (nω0 t)] dt. (3.16)
T0 t0
Z Z ( ∞
)
t0 +T0 t0 +T0 X
[a0 sen (mω0 t)] dt + [an cos (nω0 t) + bn sen (nω0 t)] sen (mω0 t) dt =
t0 t0 n=1
∞
" Z # ∞
" Z #
X t0 +T0 X t0 +T0
0+ an cos (nω0 t) sen (mω0 t) dt + bn sen (nω0 t) sen (mω0 t) dt =
n=1 t0 n=1 t0
T0
bm
2
logo
Z t0 +T0
2
bn = [f (t) sen (nω0 t)] dt. (3.17)
T0 t0
cn cos (nω0 t + θn ) = cn [cos (nω0 t) cos (θn ) − sen (nω0 t) sen (θn )]
Circuitos Elétricos no Domı́nio do Tempo e da Frequência 79
logo
sen (θn ) bn
=−
cos (θn ) an
bn
∴ θn = − arctan (3.19)
an
e
c2n cos2 (θn ) + sen2 (θn ) = a2n + b2n
p
∴ cn = a2n + b2n . (3.20)
O termo c1 cos (ω0 t + θ1 ) da série é chamado de termo de frequência fundamental (fre-
quência f0 ) e o termo cn cos (nω0 t + θn ) é chamado de termo de frequência harmônica de
grau n (frequência nf0 ).
Algumas propriedades importantes na série de Fourier:
1. Nos pontos de descontinuidade a série de Fourier converge para o valor médio entre o
limite da função à esquerda e o limite da função à direita.
ou
f (t) = ... + c−2 e−j2ω0 t + c−1 e−j1ω0 t + c0 + c1 ej1ω0 t + c2 ej2ω0 t + ....
Se multiplicarmos f (t) por e−jmω0 t e integrarmos num perı́odo teremos
Z t0 +T0 Z t0 +T0 " X
∞
#
f (t)e−jmω0 t dt = cn ejnω0 t e−jmω0 t dt =
t0 t0 n=−∞
∞
" Z #
X t0 +T0
j(n−m)ω0 t
cn e dt .
n=−∞ t0
80 Newton Barros de Oliveira
Para n 6= m fica
Z t0 +T0 ∞
X t0 +T0
1
f (t)e−jmω0 t dt = cn j(n−m)ω ej(n−m)ω0 t =
0
t0 n=−∞ t0
∞
X h i
1 j(n−m)ω0 (t0 +T0 ) j(n−m)ω0 t0
cn j(n−m)ω e −e =
0
n=−∞
∞
X h i
1 j(n−m)ω0 t0 j(n−m)ω0 t0
cn j(n−m)ω e −e =0
0
n=−∞
pois
2π 2π 2π
ej(n−m)ω0 (t0 +T0 ) = ej(n−m) T0 (t0 +T0 ) = ej(n−m) T0 t0 ej(n−m)2π = ej(n−m) T0 t0 1 =
ej(n−m)ω0 t0 .
Para n = m fica
Z t0 +T0 Z t0 +T0
f (t)e−jmω0 t dt = cm dt = cm T0
t0 t0
e consequentemente
Z t0 +T0
1
cn = f (t)e−jnω0 t dt. (3.22)
T0 t0
Podemos também relacionar a série na forma complexa com a série de cossenos vista
anteriormente. Inicialmente, como f (t) é um sinal real, teremos que
Z t0 +T0 Z t0 +T0
1 1
c∗n = f (t)ejnω0 t dt = f (t)e−j(−n)ω0 t dt
T0 t0 T0 t0
ou seja,
c∗n = c−n
e a série complexa pode ser escrita como:
ou seja, ( )
∞
X
jnω0 t
f (t) = c0 + 2Re cn e .
n=1
Escrevendo cn como
cn = |cn | ejαn
teremos
( ∞
) ( ∞
)
X X
jαn jnω0 t j(nω0 t+αn )
f (t) = c0 + 2Re |cn | e e = c0 + 2Re |cn | e
n=1 n=1
Circuitos Elétricos no Domı́nio do Tempo e da Frequência 81
ou
∞
X
f (t) = c0 + 2 |cn | cos (nω0 t + αn ) .
n=1
concluiremos que
cn bn
|cn | = c0 = a 0 e αn = θn = − arctan p/ n = 1, 2, 3...
2 an
e como c∗n = c−n teremos
c|n| b|n|
|cn | = e αn = arctan p/ n = −1, −2, −3....
2 a|n|
Quando desenvolvemos uma função na série de Fourier complexa usualmente represen-
tamos o espectro de amplitude e fase do coeficiente cn , observando que os espectros são
funções discretas das frequências ±ω0 , ±2ω0 , ±3ω0 ... . Veja (Fig. 3.15).
-3w0 -2w0 -w0 o w0 2w0 3w0 -3w0 -2w0 -w0 o w0 2w0 3w0
w ou f w ou f
teremos: Z τ
1 2 1 τ τ
cn = Ae−jnω0 t dt = A [t]−2 τ = A , p/ n = 0
T0 − τ2 T0 2 T0
82 Newton Barros de Oliveira
f(t)
t
-t/2 t/2 T0 - t/2
T0
e Z τ
1 2 1 A −jnω0 t τ2
cn = Ae−jnω0 t dt = e − τ2
, p/ n 6= 0
T0 − τ2 T0 −jnω0
1 jA −jnω0 τ τ jA h τ i
∴ cn = e 2 − ejnω0 2 = −2jsen nω0 , p/ n 6= 0
T0 nω0 T0 nω0 2
sen nω0 τ2 τ sen nω0 τ2 τ sen nω0 τ2
∴ cn = 2A = 2A =A , p/ n 6= 0.
T0 nω0 T0 nω0 τ T0 nω0 τ2
τ
Definimos o fator de forma, fator cı́clico ou “duty cycle”η ≡ T0 , de modo que
sen nω0 τ2
cn = Aη p/ n 6= 0. (3.23)
nω0 τ2
sen(nω0 τ )
Se observarmos que o limite quando n → 0 de nω0 τ 2 é a unidade, podemos escrever
2
τ
sen nω0 2
cn = Aη p/ n = 0, ±1, ±2, ±3... .
nω0 τ2
A função
τ sen ω τ2
Sa (ω ) = (3.24)
2 ω τ2
é chamada de função amostragem. Veja a (Fig. 3.17).
Observe que nesse exemplo o coeficiente cn é real e o desenvolvimento em série fica
1
X ∞
X
f (t) = cn ejnω0 t + Aη + cn ejnω0 t com c−n = c∗n = cn
n=−∞ n=1
então ∞
X sen nω0 τ2
f (t) = Aη + 2Aη cos (nω0 t)
n=1
nω0 τ2
Circuitos Elétricos no Domı́nio do Tempo e da Frequência 83
Sa(x) 1
0.75
0.5
0.25
0
-15 -10 -5 0 5 10 15
x
pois
e−jnω0 t + ejnω0 t = 2 cos (nω0 t) .
Vejamos o espectro de amplitude de cn . A função
sen nω0 τ2
nω0 τ2
é do tipo sen(x)
x ressalvando o fato do argumento ter variação discreta. Portanto, c n será
zero sempre que sen(x) o for, logo
τ
cn = 0 ⇒ nω0 = kπ, para k inteiro relativo
2
2kπ
∴ cn = 0 ⇒ ω = nω0 =
τ
Veja (Fig. 3.18).
A distância entre os zeros consecutivos da envoltória é dada por 2π
τ e a distância entre
as harmônicas é ω0 . Observe também que as amplitudes dos coeficientes |cn | não dependem
do perı́odo isoladamente mas sim do fator cı́clico η = Tτ0 pois
τ 2π τ τ
nω0 =n = nπ = nπη
2 T0 2 T0
e expressando cn em termos de η fica
sen (nπη)
cn = Aη (3.25)
nπη
de modo que, se mantivermos o fator cı́clico constante, teremos os mesmos coeficientes
qualquer que seja o perı́odo T0 .
O espectro de fase alternará entre 0 e ±π de acordo com o sinal de sen nω0 τ2 que pode
ser positivo ou negativo. Veja (Fig. 3.19).
Podemos tirar algumas conclusões importantes:
84 Newton Barros de Oliveira
cn
Ah
1
0.75
0.5
0.25
-5 -2.5 0 2.5 5 w
... -2w -w
0 0 w0 2w0 3w0 4w0 5w0 6w0 ...
∞
X Z T0
1 2
f (t) = cn e jnω0 t
e cn = f (t)e−jnω0 t dt
n=−∞
T0 −
T0
2
Arg(cn)
... p
...
.. w
... -2w -w
0 0 w0 2w0 3w0 4w0 5w0 6w0 ...
-p
Teremos então
X∞ ∞
F(ωn ) jnω0 t 1 X
f (t) = e = F(ωn )ω0 ejnω0 t .
n=−∞
T0 2π n=−∞
Podemos considerar F(ω)dω como a amplitude dos componentes com variação contı́nua
em ω, ejωt . F(ω) é conhecida como a transformada de Fourier de f (t) ou ainda função de
densidade espectral. Dizemos que
f(t)
t
-t/2 t/2
−∞ − τ2 −jω
τ
A sen ω τ2
F(ω) = 2sen ω = Aτ ,
ω 2 ω τ2
logo F(ω) é real! Veja a (Fig. 3.21).
F(w)
At
O pulso do exemplo anterior não é fisicamente realizável porque existe para tempos
negativos. Para torna-lo realizável deveremos fazer uma tanslação no tempo de valor τ2 .
Veja (Fig. 3.22)
A para 0 ≤ t ≤ τ
f (t) = .
0 para t < 0 ou t > τ
Calculando a transformada de Fourier
Z ∞ Z τ
A −jωt τ
F(ω) = f (t)e−jωt dt = A e−jωt dt = e 0
−∞ 0 −jω
A −jωτ A −jω τ −jω τ jω τ
−jω τ sen ω τ2
F(ω) = e −1 = e 2 e 2 − e 2 =e 2 Aτ ,
−jω −jω ω τ2
Circuitos Elétricos no Domı́nio do Tempo e da Frequência 87
f(t)
o t t
Figura 3.22: Pulso deslocado.
F(w) Arg[F(w)]
At
p w
h τ τ i
sen ω τ2
F(ω) = cos ω − jsen ω Aτ .
2 2 ω τ2
Pode-se também plotar a parte real e a parte imaginária. Veja (Fig. 3.24).
τ sen ω τ τ sen 2ω τ2
2
Re {F(ω)} = Aτ cos ω =A
2 ω τ2 2 ω τ2
e
sen2 ω τ2
Im {F(ω)} = −jAτ .
ω τ2
88 Newton Barros de Oliveira
w w
Figura 3.24: Transformada de Fourier do pulso deslocado. Parte real e parte imaginária.
então
af1 (t) + bf2 (t) aF1 (ω) + bF2 (ω) . (3.27)
Reciprocidade
Se
f (t) F (ω)
então
f (ω) F (t) . (3.28)
Translação no tempo
Se
f (t) F (ω)
então
f (t ± T ) e±jωT F (ω) . (3.29)
Derivação e integração
Se
f (t) F (ω)
então
d
f (t) jωF (ω) . (3.30)
dt
Circuitos Elétricos no Domı́nio do Tempo e da Frequência 89
pois
Z ∞ Z ∞ Z ∞
d 1 ∂ 1 1
f (t) = F(ω)ejωt dω = F(ω)jωe jωt
dω = jωF(ω)ejωt dω
dt 2π −∞ ∂t 2π −∞ 2π −∞
ou Z ∞
d 1
f (t) = G(ω)ejωt dω onde G(ω) = jωF(ω).
dt 2π −∞
Assim
d
f (t) G(ω).
dt
Podemos generalizar para
dn n
f (t) (jω) F(ω). (3.31)
dtn
De modo semelhante teremos para a integração
Se
f (t) F (ω)
então Z
1
f (t)dt F (ω) . (3.32)
jω
O exemplo mais simples talvez seja o degrau unitário u(t), veja a (Fig. 3.25) tal que
0 se t < 0
u(t) = .
1 se t ≥ 0
u(t)
o t
Observe que não existe a transformada de Fourier para essa função pois
Z ∞ Z ∞
f (t)e−jωt dt = 1e−jωt dt
−∞ 0
Essa é uma integral de caminho cujo caminho de integração é ao longo da linha vertical
s = σ1 de jω = −∞ até jω = ∞ no plano complexo. Veja a (Fig. 3.26).
jw
o a s1 s
O valor de σ1 deve ser tal que garanta a convergência da transformada direta de Laplace
(σ > a como vimos anteriormente). Felizmente, na maioria dos casos não é necessário
calcular tal integral, pois também pode-se mostrar que a transformada de Laplace é única.
Não existem duas funções diferentes (para t > 0) com a mesma transformada. Portanto,
desde que saibamos calcular a transformada direta, poderemos construir uma tabela de
pares de transformadas e a utilizaremos sempre que for necessário.
Utilizando o sı́mbolo L−1 para a transformada inversa teremos
f(t) f(t-T)
o t o T t
esT L {f (t − T )}
logo
L {f (t − T )} = e−sT L {f (t)} . (3.40)
Como aplicação dessa propriedade considere o cálculo da transformada de Laplace de
um pulso de duração τ que inicia em t = 0. Veja a (Fig. 3.28).
f(t)
o t t
Figura 3.28: Pulso com duração τ .
A para 0 < t < τ
f (t) = .
0 para t < 0 ou t > τ
Observe que o pulso é equivalente à subtração entre um degrau e um degrau deslocado
por τ . Veja a (Fig. 3.29)
o t t o t o t t
Figura 3.29: Pulso com duração τ como superposição de um degrau com um degrau deslo-
cado.
Propriedade de derivação
Desejamos agora calcular a transformada de Laplace da derivada de um sinal f (t).
Z∞
d d
L f (t) = f (t)e−st dt.
dt dt
0
94 Newton Barros de Oliveira
Propriedade de integração
A transformada de Laplace da integral do sinal f (t) é dada por
t
Z Z∞ Zt
L f (t)dt = f (t)dt e−st dt.
0 0 0
e
e−st
dv = e−st dt ∴v=− .
s
Então t ∞
Z e −st Zt Z∞
f (t) −st
L f (t)dt = − f (t)dt + e dt
s s
0 0 0 0
mas
e−st → 0 quando t → ∞ e σ > 0
e
Zt
f (t)dt → 0 quando t → 0.
0
Logo t
Z 1
L f (t)dt = L {f (t)} . (3.44)
s
0
Observação:
Na resolução de circuitos pela aplicação das leis de Kirchoff, muitas vezes ocorre a
necessidade de integrar o sinal de −∞ até um instante t qualquer. Por exemplo, quando
estão envolvidos capacitores e indutores com cargas e correntes iniciais respectivamente.
Assim, desejamos encontrar a transformada de Laplace de
Zt Z0 Zt
f (t)dt = f (t)dt + f (t)dt.
−∞ −∞ 0
A primeira integral à direita é uma constante. Se f (t) for uma corrente, essa integral
+
será a carga inicial q(0+ ) cuja transformada vale q(0s ) de modo que
t
Z q(0+ ) 1
L f (t)dt = + L {f (t)} . (3.45)
s s
−∞
e C
e i(t) L
A equação do circuito é
di(t)
L + Ri(t) = ε u(t)
dt
Circuitos Elétricos no Domı́nio do Tempo e da Frequência 97
ε R
∴ = (k0 + k1 ) s + k0 .
L L
Igualando os coeficientes dos termos semelhantes temos
R ε
k0 + k 1 = 0 e k 0 =
L L
ε ε
∴ k0 = e k1 = −
R R
portanto
ε ε
R R
I(s) = − R
.
s s+ L
Anti-transformando fica
ε ε R ε R
i(t) = L−1 {I(s)} = u(t) − e− L t u(t) = 1 − e− L t u(t).
R R R
O método aplicado nesse problema que permite expandir a transformada em soma de
partes separadas é conhecido como “método de expansão em frações parciais”.
s(t)
o t
teremos
Z Z
df (t) 1 11 1
L {f (t)} = L dt =L u(t)dt = L {u(t)} = = 2. (3.46)
dt s ss s
f(t)
1/t0
o t t
0
limt0 →0 t10 para 0 < t < t0
f (t) = .
0 para t > t0
A área desse pulso é t0 1/t0 = 1 ou seja,
Z ∞
f (t)dt = 1,
−∞
Circuitos Elétricos no Domı́nio do Tempo e da Frequência 99
de modo que a função δ de Dirac pode ser definida como uma função que é nula em todos
os pontos menos na origem e que tenha uma área unitária. Calculemos a transformada de
Laplace dessa “função”.
Z t0 t
1 −st 1 e−st 0
L {f (t)} = limt0 →0 e dt = limt0 →0
0 t0 t0 −s 0
1 d
dt0 (1 − e−st0 )
∴ L {f (t)} = limt0 →0 1 − e−st0 = limt0 →0 d
=
t0 s dt0 (t0 s)
se−st0
= limt0 →0 = 1.
s
Assim,
L {δ(t)} = 1 (3.47)
para qualquer valor de s.
3.4.5 Resumo:
O quadro seguinte sumariza os diversos casos estudados.
Faremos agora uma breve discussão sobre a resolução de circuitos no domı́nio do tempo. Não
aprofundaremos muito a discussão em virtude do interesse maior nos circuitos no domı́nio
das frequências.
A aplicação das leis de Kirchoff em um circuito elétrico onde estão presentes resistores,
capacitores e indutores origina, em geral, um sistema de equações diferenciais acopladas.
Por simplicidade, estudaremos circuitos de uma só malha onde teremos apenas uma equação
diferencial para resolver. Os circuitos que não possuem excitação externa, estando subme-
tido apenas às condições iniciais, originam equações homogêneas que podem ser resolvidas
pela técnica usual envolvendo funções tentativas na forma de exponenciais e resolução da
equação caracterı́stica. Os circuitos que possuem excitação externa originam equações não
homogêneas, cuja solução geral envolve a solução da equação homogênea associada e uma
solução particular. A solução da equação homogênea, por não envolver a excitação externa,
origina a parte transitória da solução enquanto que a solução particular, que depende da
excitação externa, é a responsável pelo regime permanente (quando a excitação não decai
no tempo).
Considere o circuito RLC em série mostrado na (Fig. 4.1), cuja chave é fechada em t = 0,
estando o capacitor inicialmente descarregado. Deseja-se determinar o comportamento da
corrente ao longo do tempo.
101
102 Newton Barros de Oliveira
R=3W L=1H
e=1V i(t)
C=0,5F
A equação do circuito é
Z
di(t) 1
L + Ri(t) + i(t)dt = ε (4.1)
dt C
d2 i(t) di(t) 1
∴L +R + i(t) = 0. (4.2)
dt2 dt C
No caso em questão
d2 i(t) di(t)
+3 + 2i(t) = 0. (4.3)
dt2 dt
Solução tentativa
di(t) d2 i(t)
i(t) = eαt ∴ = αeαt e = α2 eαt .
dt dt2
Substituindo na equação diferencial (4.3) obteremos a equação caracterı́stica
∴ α2 + 3α + 2 = 0
√
−3 ± 9 − 8
∴α= ,
2
α1 = −1, α2 = −2.
Portanto
i(t) = k1 e−t + k2 e−2t . (4.4)
i(0R+ ) = 0 ⇒ Ri(0+ ) = 0
As condições iniciais são 1
C i(t)dt = 0 (capacitor descarregado em t = 0).
Da equação (4.1) teremos para t = 0
Z 0+
di(0+ ) 1
L + Ri(0+ ) + i(t)dt = ε
dt C 0
di(0+ )
∴L =ε
dt
Circuitos Elétricos no Domı́nio do Tempo e da Frequência 103
di(0+ ) 1
∴ = = 1 A/s.
dt 1
As condições iniciais podem então ser reescritas como
(
i(0+ ) = 0
di(0+ ) (4.5)
dt = 1.
∴ k1 = 1 e k2 = −1.
Sendo assim
i(t) = e−t − e−2t ,
veja a (Fig. 4.2).
i(t)
(A)
1
e-t
e-t- e-2t
0.5
0
0 1.25 2.5 3.75 5
t
-0.5 -2t (s)
-e
-1
ε = 1 V, L = 1 H, R = 2 Ω e C = 0, 5 F.
α2 + 2α + 2 = 0
√
−2 ± 4 − 8
∴α= ,
2
104 Newton Barros de Oliveira
α1 = −1 + j1, α2 = −1 − j1
e para a solução geral teremos
ou
i(t) = e−t k1 ejt + k2 e−jt = e−t [(k1 + k2 ) cos t + j (k1 − k2 ) sen t]
∴ i(t) = e−t [k3 cos t + jk4 sen t] .
Com as mesmas condições iniciais, equação (4.5) teremos
i(0+ ) = k3 = 0
e
di(0+ )
= − (k3 cos 0 + jk4 sen 0) + (−k3 sen 0 + jk4 cos 0) = 1
dt
∴ −k3 + jk4 = 1
1
∴ k4 = .
j
Logo
i(t) = e−t sen t.
Vemos portanto que o comportamento agora é oscilatório amortecido (Fig. 4.3).
i(t)
(A)
0.3
0.25
0.2
0.15
0.1
0.05
0
0 1.25 2.5 3.75 5 t
(s)
Figura 4.3: Corrente oscilatória amortecida no circuito RLC em série para t> 0.
Se tivéssemos
ε = 1 V, L = 1 H, R = 0.3 Ω e C = 0, 5 F.
a solução seria
i(t) = e−0,3t sen (2, 8125t).
veja a (Fig. 4.4) onde podemos ver várias oscilações durante o amortecimento.
Circuitos Elétricos no Domı́nio do Tempo e da Frequência 105
i(t)
(A)
0.75
0.5
0.25
0
0 2.5 5 7.5 10
-0.25 t
(s)
-0.5
Figura 4.4: Corrente oscilatória amortecida com baixo amortecimento no circuito RLC em
série para t> 0.
Observe que as duas equações diferenciais desses dois exemplos são da forma
d2 i di R 1
2
+ a1 + a2 i = 0, a1 = e a2 = (4.6)
dt dt L LC
com equação caracterı́stica do tipo
α2 + a 1 α + a 2 = 0
i(t)
(A)
0.2
0.15
0.1
0.05
00 1.25 2.5 3.75 5
t
(s)
i(t)
(A)
0.625
0.5
0.375
0.25
0.125
0
0 2.5 5 7.5 10 12.5 15
t
(s)
Figura 4.6: Corrente com amortecimento crı́tico no circuito RLC em série para t> 0.
i(t)
(A)
0.75
0.5
0.25
0
0 2.5 5 7.5 10
-0.25 t
(s)
-0.5
Figura 4.7: Corrente oscilatória com amortecimento no circuito RLC em série para t> 0.
R
4
4- Se as raı́zes são imaginárias L =0 e LC 6= 0 temos uma solução oscilatória
(Fig. 4.8) com α1 , α2 = ±jω1 .
i(t)
(A)
1
0.5
0
0 2.5 5 7.5 10
t
-0.5 (s)
-1
Figura 4.8: Corrente oscilatória no circuito RLC em série com R = 0 para t> 0.
c) Circuito RL em série
Considere um circuito RL em série excitado por uma fonte de tensão (Fig. 4.9).
ee -bt
i(t) L
di
L + Ri = εe−βt
dt
di R ε
+ i = e−βt .
∴ (4.11)
dt L L
A correspondente equação homogênea
di R
+ i=0
dt L
tem a equação caracterı́stica
R
α+ = 0.
L
108 Newton Barros de Oliveira
ip = Ae−βt
R −βt ε
−Aβe−βt + Ae = e−βt
L L
R ε
∴ −Aβ + A=
L L
ou ε
L ε
A=− R
=
β− L
R − βL
R ε R
i(t) = ke− L t + e−βt para β 6= (4.12)
R − βL L
R
Caso β = L deveremos tentar outra solução particular, por exemplo
ip = Ate−βt
R ε −βt R
i(t) = ke− L t + te para β = . (4.13)
L L
A constante k deverá ser determinada em ambos os casos a partir da condição inicial.
fecha em t = 0 R
v(t) ~ i(t) C
di 1
∴R + i = v0 ωcos (ωt)
dt C
ou
di 1 v0 ω
+ i= cos (ωt) . (4.14)
dt RC R
A equação homogênea
di 1
+ i=0
dt RC
tem solução
t
ic = ke− RC .
Como solução particular tentemos uma corrente cossenoidal, possivelmente defasada, do
tipo
ip = i0 cos (ωt + φ) . (4.15)
Substituindo na equação diferencial (4.14) teremos
1 v0 ω
−i0 ωsen (ωt + φ) + i0 cos (ωt + φ) = cos (ωt)
RC R
i0 v0 ω
∴ −i0 ω [sen (ωt) cosφ + cos (ωt) senφ] +
[cos (ωt) cosφ − sen (ωt) senφ] = cos (ωt)
RC R
i0 i0 v0 ω
∴ −i0 ωcosφ − senφ sen (ωt) + −i0 ωsenφ + cosφ − cos (ωt) = 0.
RC RC R
Essa equação tem que ser satisfeita para todos os instantes de tempo t, logo
i0
−i0 ωcosφ − senφ = 0 (4.16)
RC
e
i0 v0 ω
−i0 ωsenφ + cosφ − = 0. (4.17)
RC R
110 Newton Barros de Oliveira
senφ
= −RCω
cosφ
ou
φ = −arctg (RCω) ,
observe o triângulo (Fig. 4.11)
1
wC
-f
R
Z
1
−R ωC
senφ = q e cosφ = q .
1 2 1 2
R2 + ωC R2 + ωC
1 2
R2 + ωC
∴ i0 q = v0
1 2
R2 + ωC
v0
∴ i0 = q .
1 2
R2 + ωC
i(t)
1.25
1
0.75
0.5
0.25
0
0 1.25 2.5 3.75 5 t
-0.25
v0 v0 ωCR
∴ k = −q 2 cosφ = − R 1 + (ωCR)2 .
1
R2 + ωC
o teorema da superposição garante que a solução para essa excitação deverá ser a su-
perposição de uma solução referente à componente contı́nua com uma solução referente à
112 Newton Barros de Oliveira
i(t) 1
0.75
0.5
0.25
0 25 37.5 50
0 12.5
t
-0.25
R L
v(t) ~ i(t)
C
Figura 4.14: Circuito RLC em série excitado por uma tensão v(t).
α2 + 2ξωn α + ωn2 = 0
r r
p R C 1
∴ α1 , α2 = −ξωn ± ωn ξ2
−1 ξ= e ωn = .
2 L LC
Observe que quando R varia de 0 a ∞, também ξ varia de 0 a ∞, e que, durante essa
variação, a solução da equação homogênea
ic = k 1 e α 1 t + k 2 e α 2 t
Vejamos a forma do lugar geométrico das raı́zes no plano complexo quando ξ varia de 0
a ∞: começando com ξ = 0, teremos
α1 , α2 = ±jωn
Im
jwn x
o
Re
-jwn x
que são raı́zes complexas conjugadas com parte real negativa, pois tanto ξ como ω n são
positivos (Fig 4.16).
Im
a1 xwn
wn(1-x2)1/2
wn
q
o
Re
a2 -wn(1-x2)1/2
xwn
e que
ξωn
cos θ = = ξ.
ωn
Assim, para ξ variando entre 0 e 1 e sendo ωn constante, teremos θ variando entre π/2
e 0 e α1 descrevendo um arco de cı́rculo (o mesmo vale para α2 ) , veja (Fig. 4.17).
Im
jwn
a1
p/x=1 wn
q p/x=0
o Re
a2
-jwn
e a medida que ξ → ∞ uma das raı́zes tende para a origem (α1 → 0) e a outra para o
infinito negativo (α2 → −∞) (Fig. 4.18). A solução será uma soma de exponênciais.
Im
a1
a2 o
Re
p/x--> 1
a1-->0 e a2--> -1
Figura 4.18: Raı́zes tendendo a zero e a menos infinito sobre o eixo real.
116 Newton Barros de Oliveira
• Para ξ = 1
ic (t) = (k1 + k2 t) e−ξωn t . (4.31)
• Para ξ < 1 p
ic (t) = ke−ξωn t sen ωn 1 − ξ 2 t + φ . (4.32)
Resta ainda determinar a solução particular ip (t), que dependerá da forma da excitação
v(t). Normalmente, a solução particular possui a mesma forma da excitação. Assim, se a
excitação é uma constante, a solução também o é. Se a excitação é do tipo at n , a solução
será do tipo b0 tn +b1 tn−1 +...+bn−1t+bn , se a excitação é senoidal ou cossenoidal a solução
será uma senoide ou cossenoide defasadas.
Capı́tulo 5
Circuitos no domı́nio da
frequência. Regime transitório
e permanente
Nosso interesse agora é formular as leis dos circuitos no domı́nio da frequência (d.d.f.)
utilizando as transformações que estudamos anteriormente, de acordo com o tipo de sinal
de excitação.
e
v(t) → V. (5.1)
Para as fontes não periódicas, utilizamos a transformada de Fourier ou a transformada
de Laplace a depender se convergem absolutamente ou não.
Para a fonte senoidal amortecida,
n o
e st ,
v(t) = Re Ve e = v0 ejφ ,
V
e
v(t) → V. (5.2)
Para a função degrau com amplitude v0 (Fig. 5.1)
v(t) = v0 u(t)
117
118 Newton Barros de Oliveira
u(t)
v0
o t
v0
v(t) → . (5.3)
s
O mesmo vale para as fontes de corrente.
5.1.2 Resistores
Enquanto que no domı́nio do tempo a lei de Ohm é
v(t) = R i(t),
e = R eI
V
onde
e = V(s)
V e e = V(jω)
ou V e
e
eI = eI(s) ou eI = eI(jω)
di(t)
v(t) = L
dt
transformada em
e = jωLeI
V
ou então
e = sLeI.
V
Circuitos Elétricos no Domı́nio do Tempo e da Frequência 119
e = 1
Y
e
Z
escrita como
e = G + jB
Y (5.6)
sendo G uma condutância e B uma susceptância.
Como exemplo, consideremos um circuito RLC em série (Fig. 5.2).
Temos a equação: Z
di(t) 1
v(t) = L + R i(t) + i(t)dt.
dt C
Transformemos por Laplace considerando condições iniciais nulas
i(0+ ) = 0 e q(0+ ) = 0.
e 1 e
V(s) = LseI(s) + ReI(s) + I(s)
sC
120 Newton Barros de Oliveira
R L
v(t) i(t)
C
e 1 eI(s).
∴ V(s) = R + Ls +
sC
Fazendo
e 1
Z(s) = R + Ls + , s = σ + jω (5.7)
sC
teremos
e
V(s) e eI(s).
= Z(s)
Caso a excitação seja senoidal, (σ = 0) teremos no regime cissoidal
e 1 eI(jω)
V(jω) = R + j ωL −
ωC
ou
e
V(jω) e
= Z(jω)eI(jω)
com
e 1
Z(jω) = R + j ωL − . (5.8)
ωC
Em qualquer caso, podemos dizer que a impedância complexa Z e pode ser escrita como a
associação em série de três dipolos. No regime cissoidal identificamos facilmente a resistência
1
R , a reatância indutiva ωL e a reatância capacitiva ωC .
e
Representamos a impedância Z no plano das impedâncias complexas como um vetor
(Fig. 5.3).
Im
X
~
Z
f
R Re
e = R + jX = Z
Z e ejφ
Circuitos Elétricos no Domı́nio do Tempo e da Frequência 121
com p
e X
Z = R2 + X 2 e tanφ = . (5.9)
R
1
No caso da associação RLC em série teremos a (Fig. 5.4) para ωL < ωC e para
1
ωL > ωC .
Im Im
1
wC
wL ~ wL
Z
R
Re R Re
1
~ wC
Z
1 1
Figura 5.4: Impedância complexa para R, L e C em série com ωL < ωC e com ωL > ωC .
Os circuitos mais complexos (muitas malhas) podem ser resolvidos no d.d.f. utilizando
as técnicas desenvolvidas para os circuitos no regime contı́nuo, acrescentando-se elementos
indutivos, capacitivos e geradores dependentes do tempo. O método das correntes de malha
(ou o método das tensões dos nós) fornecerá um sistema de equações integro-diferencial
linear (por hipótese) que após ser transformado convenientemente (por Fourier ou Laplace)
resultará em um sistema de equações algébricas no d.d.f.. Após a resolução do sistema, a
anti-transformação dará o resultado desejado no d.d.t..
5.2 Os quadripolos
A teoria desenvolvida para os quadripolos em regime contı́nuo pode ser aproveitada para
o regime variável no d.d.f. observando que os parâmetros que caracterizam o quadripolo
são agora, em geral, funções da frequência. Usualmente, as variações dos parâmetros com
a frequência são representadas graficamente por um dos seguintes diagramas:
i1(t) R i2(t)
v1(t) C v2(t)
e 1 (jω),
v1 (t) → V i1 (t) → eI1 (jω)
e 2 (jω),
v2 (t) → V i2 (t) → eI2 (jω).
Estamos interessados em determinar no d.d.f. a tensão de saı́da em função da tensão de
e v (jω) com a saı́da aberta.
entrada, ou seja, determinar o ganho de tensão G
e2 = G
V e vV
e 1. (5.10)
Mas
e2 = 1 e
V I1
jωC
e
e1
V
e
I1 = 1
R + jωC
1 Ve1
e2 =
∴V 1
jωC R + jωC
ou
e2 = 1 jωC e1 = 1 e1
V V V
jωC RjωC + 1 RjωC + 1
ev = 1
∴G .
RjωC + 1
1
Definindo a frequência de corte ωc = RC fica
ev = 1
G (5.11)
1 + j ωωc
e 1 e ω
∴ G v = r 2 , Arg Gv = −arctg . (5.12)
ωc
1 + ωωc
Circuitos Elétricos no Domı́nio do Tempo e da Frequência 123
e v.
A (Fig. 5.6) mostra a variação do módulo e da fase de G
~ ~ 0 5 10 15 20
Gv 1 Arg(Gv) 0
w/wc
0.8 -0.25
-0.5
0.6
-0.75
0.4
-1
0.2 -1.25
-1.5
0 5 10 15 20
w/wc
O diagrama de Bode
Com o intuito de linearizar ao máximo a representação gáfica das variações dos parâmetros
constrói-se o diagrama de Bode tomando-se o logarı́timo decimal do módulo do ganho e da
frequência. Mais precisamente, define-se o ganho de tensão (ou de corrente) em decibéis
pela expressão
e
GvdB = 20 log G v (5.13)
e v x logω. Teremos para o exemplo anterior
e traçamos então a curva GvdB x logω e Arg G
" 2 #
1 ω
GvdB = 20 log r 2 = −10 log 1 + ωc .
ω
1 + ωc
Observe que para ω >> ωc , a cada vez que dobramos a frequência o ganho varia de
−20 log2 ≈ −6 dB e dizemos que o ganho está variando de −6 dB/oitava (uma oitava na
escala musical corresponde a dobrar a frequência). De modo equivalente, se tornarmos a
frequência dez vezes maior, o ganho variará de −20 log10 = −20 dB e dizemos que o ganho
está variando de −20 dB/década. Veja a (Fig. 5.7) onde representamos o ganho em dB e
o argumento em função do logarı́timo da frequência angular relativa (log(ω/ω c )).
É comum representarmos essas curvas pelas assı́ntotas que se obtém para ω << ω c e
para ω >> ωc .
e
• Para ω << ωc , Gv ≈ 1 → GvdB ≈ 0dB e a assı́ntota é o eixo log(ω/ωc).
e
• Para ω >> ωc , Gv ≈ ωωc → GvdB ≈ −20 log ωωc = −20 log(ω) + 20 log(ωc )
(equação da reta em log(ω)). No diagrama de Bode corresponde a uma reta com
inclinação de −20 dB/década.
e v são dadas por:
As assı́ntotas do Arg G
e v ≈ 0− .
• Para ω << ωc , Arg G
e v ≈ −π.
• Para ω >> ωc , Arg G 2
log(w/wc) log(w/wc)
-2 -1.5 -1 -0.5 0 0.5 1 -2 -1 0 1 2
0
-0.25
-3 -5
-0.5
O diagrama de Nyquist
e v representado no plano complexo
Esse diagrama consiste no lugar geométrico do ganho G
quando fazemos variar a frequência angular ω.
No exemplo anterior tı́nhamos a equação (5.11)
ev = 1 e jθ ω
G ω = G v e , θ = −arctg
1 + j ωc ωc
ou seja
ev = 1 cosθ ejθ + e−jθ jθ
G = = cosθejθ = e
1 − jtanθ cosθ − jsenθ 2
e v = 1 1 + ej2θ .
∴G
2
Para ω variando entre zero e infinito, θ varia entre zero e −π/2 (e 2θ varia entre zero e
−π). Veja (Fig. 5.9).
Im
1/2 1 Re
-q -2q
p/ w >> wc 1/2e
j2q
p/ w = 0
~
Gv
p/ w = wc
Representação no plano s
Consideremos que a excitação não é mais senoidal mas uma função transformável por La-
place. Nesse caso, o ganho G e v passa a ser uma função da frequência complexa s e para
determinados valores desta frequência o ganho pode ter um comportamento peculiar, po-
dendo anular-se ou tornar-se infinito por exemplo.
No exemplo anterior, substituindo jω por s obteremos a seguinte expressão para o ganho:
ev = 1
G .
1 + sRC
1
Observe que para s = − RC , o ganho é infinito. Esse valor particular de s constitui o
e
que se chama de polo de Gv e neste caso é real e negativo. Veja (Fig. 5.10).
Im
x
Re
s0 = - 1/(RC)
Figura 5.10: Polo do ganho de tensão do filtro RC passa-baixa no plano das frequências
complexas.
mas
e 1 (s) = 1
V
s
1
pois s é a transformada de Laplace do degrau u(t). Assim,
e 2 (s) = 1 1 1 1
V = 1
.
1 + sRC s RC s + RC
s
logo
(k1 − s0 k0 ) = 0 e k1 = 1
1
∴ k0 = .
s0
Sendo assim,
−s0 s10 1 −1 1
e 2 (s) =
V + = +
s − s0 s s − s0 s
e anti-transformando teremos
−t
v2 (t) = −es0 t u(t) + u(t) = 1 − e RC u(t)
v1(t) v2(t)
1 1
0.75
0.5
0.25
0
0 2.5 5 7.5 10
t
t / (RC)
essas perdas, apesar de não serem exclusivamente por efeito Joule, podem ser consideradas,
de modo aproximado, como sendo as perdas produzidas por um resistor com resistência r
em série com o indutor ideal. Em geral as perdas dependem da frequência, de modo que a
resistência r é uma função da frequência. Se a variação de frequência for pequena, podemos
considerar r praticamente constante (Fig. 5.12).
r
(L , r ) L, indutor ideal
indutor real
ou
e = r + sL
Z representação de Laplace. (5.15)
No regime cissoidal
e r 1
Z = r + jωL = jωL 1 − j = jωL 1 − j
ωL Q
As perdas em um indutor também podem ser representadas por um resistor com re-
sistência R em paralelo com o indutor ideal. (Fig. 5.13)
Um indutor de boa qualidade (baixa perda) deve possuir na representação série um
valor de r pequeno quando comparado com ωL e, na representação paralela, um valor de
R grande com relação a ωL na frequência de operação.
A impedância na representação paralela no regime cissoidal será:
−1
e = R // jωL = 1 1 jωLR jωL
Z + = = .
R jωL jωL + R 1 + j ωL
R
Circuitos Elétricos no Domı́nio do Tempo e da Frequência 129
(L , R ) R
ωL
Se considerarmos um indutor de boa qualidade, R >> ωL, teremos R = << 1 e
poderemos aproximar para
e = jωL ≈ jωL(1 − j) = jωL 1 − j ωL .
Z
1 + j R
Se impormos a condição de que as duas representações devam ser equivalentes teremos
1 ωL
jωL 1 − j = jωL 1 − j
Q R
onde vemos que Q = R/(ωL) ou seja,
R ωL
= ∴ Rr = ω 2 L2 . (5.16)
ωL r
Resumindo, na representação em série
ωL
Q= (5.17)
r
e na representação em paralelo
R
Q= . (5.18)
ωL
r1 r2 r
Paralelo-paralelo:
Considere dois resistores na representação em paralelo representando as diversas perdas de
um indutor. Veja (Fig. 5.15).
L R1 R2 L Req
Série paralelo:
Considere um resistor na representação em série e um resistor na representação em paralelo
representando as diversas perdas de um indutor. Veja (Fig. 5.16).
Temos
e = (jωL + r1 ) // R2
Z
ou
r1 r1
e = (jωL + r1 ) R2 = jωL
Z
1 − j ωL R2
=
jωL 1 − j ωL
.
(jωL + r1 ) + R2 R2 jωL + r1
+ 1 1 + Rr12 + jωL
R 2
R2 R2
Circuitos Elétricos no Domı́nio do Tempo e da Frequência 131
r1 r
L R2 L R ou L
Figura 5.16: Perdas em um indutor real representadas por resistores em série e paralelo.
Sendo
ωL R2
Q1 = e Q2 =
r1 ωL
teremos
R2
Q1 Q2 =
r1
e
jωL 1 − j Q11
e=
Z .
1
1+ Q1 Q2 + j Q12
Se considerarmos que os coeficientes de qualidade são elevados, Q1 e Q2 >> 1 teremos
aproximadamente
jωL 1 − j Q11
e 1 1
Z≈ ≈ jωL 1 − j 1−j
1 + j Q12 Q1 Q2
e ≈ jωL 1 − j 1 − j 1 − 1
∴Z ≈ jωL 1 − j
1
+
1
Q1 Q2 Q1 Q2 Q1 Q2
logo
1 1 1
≈ + (5.21)
Q Q1 Q2
e Q pode ser escrito na representação em paralelo
R
Q=
ωL
ou na representação em série,
ωL
Q= .
r
(C , r ) C, capacitor ideal
capacitor real
onde definimos
1
Q= . (5.22)
ωC r
Em paralelo (Fig. 5.18) teremos
(C, R) R
R
e = R // 1 jωC 1 1
Z = 1 = 1 .
jωC R + jωC jωC 1 − j ωCR
Se o coeficiente de qualidade for elevado deveremos ter um valor para R muito grande,
então
e= 1
Z
1
, =
1
<< 1
jωC 1 − j ωCR
e teremos aproximadamente
e≈ 1 1 1
Z (1 + j) = 1+j .
jωC jωC ωCR
Definimos então
Q = ωCR (5.23)
de modo que
e≈ 1 1
Z 1+j .
jωC Q
Circuitos Elétricos no Domı́nio do Tempo e da Frequência 133
L RL C RC ~ L C R ~
I I
Figura 5.19: Circuito RLC em paralelo excitado por uma fonte de corrente.
e = 1/Z
No regime cissoidal a admitância Y e pode ser escrita como
e 1 1 1 1
Y= + jωC + = + j ωC − (5.25)
R jωL R ωL
e= 1
∴Z 1 1
, (5.26)
R + j ωC − ωL
s 2 2
1 1 1
e e .
Y = + ωC − e Z = e
R ωL Y
A ressonância ocorre para a frequência angular ω0 que torna o módulo da admitância
um mı́nimo, ou seja, quando
1 1
ω0 C − =0 ∴ ω0 = √ .
ω0 L LC
~ ~
|Y| 25 |Z| 1
20
0.75
15
0.5
10
0.25
5
0
0 0.5 1 1.5 2 0 0.5 1 1.5 2
w0 w w0 w
Figura 5.20: Curvas dos módulos da admitância e da impedância para um circuito RLC em
paralelo.
onde podemos imaginar que as perdas do circuito estão integralmente associadas ao indutor
ou então ao capacitor. A admitância pode ser expressa em função desse coeficiente de
qualidade como
e = 1 + j ωQ0 − ω0 Q0 = 1 1 + jQ0 ω − ω0
Y . (5.27)
R ω0 R ωR R ω0 ω
e= 1 =
Z
R
(5.28)
e
Y 1 + jQ0 ωω0 − ω0
ω
e
e R
Z = r 2 .
ω ω0
1+ Q20 ω0 − ω
e e Z
Para frequências próximas da frequência de ressonância podemos aproximar Z e .
Observe que
ω ω0 ω 2 − ω02 (ω − ω0 ) (ω + ω0 )
− = =
ω0 ω ω0 ω ω0 ω
e fazendo ω − ω0 = ∆ω e ω + ω0 ≈ 2ω teremos
ω ω0 2∆ω
− ≈ .
ω0 ω ω0
R R
e≈ e
Z e Z ≈ r 2 . (5.29)
1 + jQ0 2∆ω
ω0 2 2∆ω
1 + Q 0 ω0
Circuitos Elétricos no Domı́nio do Tempo e da Frequência 135
e
Para os casos em que o coeficiente de qualidade é elevado, a curva de Z x ω é alta e
e
estreita e nas vizinhanças da ressonância a expressão para Z acima calculada é uma boa
aproximação.
O coeficiente de qualidade pode ser obtido a partir da curva de ressonância de modo
simples. Para isso basta determinarmos as frequências em que a impedância
√ cai de 3 dB do
valor máximo, ou seja, as frequências em que a impedância
cai a 1/ 2 do seu valor máximo
√ e
(1/ 2 ⇔ −3 dB). Como o valor máximo de Z é R, deveremos ter
R R
r 2 = √2 = 0.707R
ω ω0
1 + Q20 ω0 − ω
2
ω ω0
∴1+ Q20 − =2
ω0 ω
logo
ω ω0
Q0 − = ±1 (5.30)
ω0 ω
ou
ω 2 − ω02
Q0 = ±1
ω0 ω
ω0 ω
∴ ω 2 − ω02 = ± .
Q0
Sendo ω2 > ω0 > ω1 as raizes dessa equação teremos
ω0 ω2
ω22 − ω02 = +
Q0
e
ω0 ω1
ω12 − ω02 = −
Q0
fazendo a diferença entre essas duas expressões fica
ω0
ω22 − ω12 = (ω2 + ω1 )
Q0
ω0
∴ (ω2 − ω1 ) (ω2 + ω1 ) = (ω2 + ω1 )
Q0
ω0
∴ ω2 − ω 1 =
Q0
ω0
Q0 = . (5.31)
ω2 − ω 1
ou seja, o coeficiente de qualidade fica determinado pela frequência de ressonância e pela
largura (“bandwidth”) da curva.
Com a aproximação de coeficiente de qualidade elevado (digamos Q0 > 5, curva alta
e estreita) podemos escrever ω2 − ω1 = 2∆ω de modo que também podemos expressar o
coeficiente de qualidade como
ω0
Q0 ≈ .
2∆ω
136 Newton Barros de Oliveira
~
|Z| / R
1
0.75
0,707
0.5
0.25
0
0 0.5 1 1.5 2
w/w0
w1/w0 w2/w0
e= R
Z
1±j
e
e R e = ±π.
Z = √ e Arg Z
2 4
√
Cálculo exato das frequências correspondentes à queda da impedância a R/ 2
Podemos determinar as frequências
correspondentes à queda de 3 dB diretamente em função
e √
dos parâmetros R, L e C. De Z = R/ 2 teremos
1 R
q
1 2 1
2 = √ 2
R + ωC − ωL
ou 2 2
1 1 2
+ ωC − =
R ωL R2
1 1
∴ ωC −=± .
ωL R
Temos então que resolver a seguinte equação:
1 1
ω2 ± ω− =0
RC LC
cujas raı́zes são q
1
1 2 4
± RC ± RC + LC
ω= .
2
Circuitos Elétricos no Domı́nio do Tempo e da Frequência 137
Temos então duas raı́zes positivas e suas simétricas. As positivas são dadas exatamente por
q
1 1 2 4
± RC + RC + LC
ω1 , ω2 = .
2
1 2 4 1
Se a resistência for suficientemente alta de modo que RC << LC , ou seja, RC << 2ω0
1
(pois ω0 = √LC ) podemos aproximar para
q
1 4
± RC + LC 1
ω1 , ω2 ≈ = ω0 ± .
2 2RC
Sendo
1 R
∆ω = ω2 − ω0 = ω0 − ω1 ≈ e Q0 =
2RC ω0 L
podemos concluir que
1
R 1 ω02 ω0
Q0 = ≈ 2C∆ω = = =
ω0 L ω0 L 2∆ωω0 LC 2∆ωω0 2∆ω
que é o mesmo resultado encontrado anteriormente.
1
Observe que a condição RC << 2ω0 é equivalente a
1 R 1
ω0 CR >> ∴ 1 >>
2 ω0 C
2
ou
R 1 1
>> ∴ Q0 >> (5.32)
ω0 L 2 2
ou seja, um coeficiente de qualidade elevado.
e= R R Rcosφ Rcosφ
Z = senφ
= = −jφ
1 − jtanφ 1 − j cosφ cosφ − jsenφ e
e = Re
jφ
+ e−jφ jφ R
∴Z e = 1 + ej2φ .
2 2
138 Newton Barros de Oliveira
Quando ω varia de zero a infinito, a equação (5.33) mostra que φ varia de +π/2 a −π/2,
portanto 2φ varia de π a −π e a expressão de Z e acima calculada representa, no plano
complexo, um cı́rculo de raio R/2 centrado em (R/2, 0). Veja (Fig. 5.22).
A situação em que ω = ω1 e ω = ω2 está mostrada em (Fig. 5.23). A representação
de Nyquist para a impedância também pode ser obtida pela a inversão geométrica do
diagrama de admitância. O lugar geométrico da admitância no plano complexo ao variarmos
a frequência é uma reta paralela ao eixo imaginário chamada de “eixo z”uma vez que a parte
real é constante e igual a 1/R. Veja (Fig. 5.24). A inversão geométrica do eixo z é um
cı́rculo.
Im
~
Z
p/ w = 0
f 2f Re
R/2 p/ w = w0
p/ w >> w0
Im
p/ w = w1
~
Z
p/4 Re
-p/4 R/2
p/ w = w2
Im eixo z
wC
1/wL
1/R
Re
~
Y
p/ w < w0
Nas vizinhanças da ressonância a impedância pode ser aproximada pela equação (5.29)
e, nessa aproximação, tanφ é linear em ω. O diagrama de Nyquist correspondente ainda
é um cı́rculo, porém, os pontos do cı́rculo correspondem a outros valores de ω diferentes
dos anteriores, excetuando nas vizinhanças da ressonância onde coincidem com boa apro-
ximação.
Longe da ressonância temos que utilizar a expressão exata para o argumento da im-
pedância para que os pontos do cı́rculo correspondam aos valores corretos de ω.
e (s) = R Rsω0
Z =
1 + Q0 s
+ ω0 sω0 + Q0 s2 + Q0 ω02
ω0 s
Rω0
e (s) = Q0 s
∴Z ω
s2 + Q00 s + ω02
ou seja
e (s) = As Rω0 1 1
Z , A= = e 2ξ = .
s2 + 2ξω0 s + ω02 Q0 C Q0
Para uma excitação do tipo degrau de corrente i(t) = Iu(t) procuramos uma resposta
v(t). Transformando por Laplace temos
e (s) = Z
e (s) Ie (s) = As I AI
V = 2
s2 + 2ξω0 s + ω02 s s + 2ξω0 s + ω02
140 Newton Barros de Oliveira
ou seja
AI p
e (s) =
V , α1 , α2 = −ξω0 ± ω0 ξ 2 − 1. (5.34)
(s − α1 ) (s − α2 )
1 k0 (s − α2 ) + k1 (s − α1 )
=
(s − α1 ) (s − α2 ) (s − α1 ) (s − α2 )
∴ 1 = (k0 + k1 ) s − k0 α2 − k1 α1
ou seja
k0 + k 1 = 0 ∴ k0 = −k1
e
1
k0 α2 + k1 α1 = −1 ∴ k1 (α1 − α2 ) = −1 ∴ k1 = .
α2 − α 1
Então
e (s) = AI 1 1 1 1
V +
α1 − α 2 s − α 1 α2 − α 1 s − α 2
mas, de acordo com a equação (5.34),
p p
α1 − α2 = 2ω0 ξ 2 − 1 = j2ω0 1 − ξ2
ou p
I
v(t) = p e−ξω0 t sen 1 − ξ 2 ω0 t u(t). (5.36)
ω0 C 1 − ξ 2
Circuitos Elétricos no Domı́nio do Tempo e da Frequência 141
p
Definindo ω 0 = 1 − ξ 2 ω0 podemos escrever
I −ξω0 t
v(t) = e sen (ω 0 t) u(t), (5.37)
ω0 C
√
lembrando que 2ξ = 1/Q0 e que ω0 = 1/ LC podemos concluir que, para um coeficiente de
qualidade elevado, teremos ξ << 1 e consequentemente ω 0 ≈ ω0 . O termo ξω0 é conhecido
como decremento logarı́timico e sua medida fornecerá o coeficiente de qualidade. Observe
que para Q0 = 1/2 teremos o amortecimento crı́tico (raı́zes reais e iguais) e para Q 0 < 1/2
teremos o caso superamortecido (raı́zes reais e distintas, resposta aperiódica) discutido
anteriormente.
Capı́tulo 6
Nos capı́tulos anteriores estudamos diversos circuitos constituı́dos por dipolos lineares.
Apresentaremos agora um dipolo não-linear de grande aplicabilidade e alguns circuitos
a ele relacionados.
i i
v
v
143
144 Newton Barros de Oliveira
razão pela qual daremos ênfase e estudaremos apenas esse tipo de diodo. Um diodo real
está representado na (Fig. 6.2) bem como a curva caracterı́stica de um diodo semicondutor.
i (ampéres)
i 2
1.5
1
v
0.5
0
-1 -0.5 0 0.5 1 v (volts)
Um diodo comum de silı́cio utilizado em retificação apresenta uma queda de tensão nos
seus terminais de aproximadamente 0, 7 V quando conduzindo uma corrente de 1, 0 A no
sentido direto enquanto que no sentido inverso, tensões de centenas de volts correspondem
a correntes de apenas algumas dezenas de nanoampéres. Em um diodo semicondutor a
corrente está relacionada com a tensão pela equação
v
i = i0 e ηVT − 1 (6.1)
onde
T
• VT = 11600 é o equivalente em tensão da temperatura. VT = 26 mV para T ≈ 300 K.
• η = 1 para diodos de germânio e η ≈ 2 para diodos de silı́cio.
• i0 é a chamada corrente de saturação inversa pois, para valores de tensões muito
negativas, a exponencial pode ser desprezada e i ≈ −i0 .
Para valores de tensões positivas elevadas (v ηVT ) a corrente comporta-se como uma
função exponencial da tensão crescendo rapidamente com o aumento da tensão. O joelho
da curva caracterı́stica é abrupto de modo que é comum definir uma tensão V γ , chamada de
tensão de disparo, que corresponde a aproximadamente à tensão que produz uma corrente
da ordem de 1% da corrente máxima de trabalho do diodo. Para tensões menores que V γ
podemos dizer que a corrente é muito pequena (o diodo está praticamente cortado) e para
tensões maiores que Vγ a corrente cresce rapidamente com a tensão (diodo ativo). Para
diodos de germânio Vγ ≈ 0, 2 V e para diodos de silı́cio Vγ ≈ 0, 6 V.
Da curva caracterı́stica podemos verificar que a resistência direta do diodo é muito menor
que a resistência inversa, considerando pontos além do joelho da curva para a resistência
direta ou resistência estática direta. Essa resistência é dada simplesmente pela relação
RD = v/i. (6.2)
i (nanoampéres)
-5
-7.5
-10
Nessa curva podemos também definir a resistência dinâmica inversa da mesma maneira,
calculando-a no trecho de interesse da curva .
Excetuando em alguns casos especiais, estaremos interessados nos circuitos com diodos
operando no modo direto.
vR
vD v
Temos
v = v D + vR . (6.4)
146 Newton Barros de Oliveira
No sentido direto
vD = 0, ∀ i e vR = R i
∴ v = 0 + R i.
No sentido inverso
i = 0, ∀ v D e vR = R 0
∴ v = vD + 0.
A caracterı́stica do dipolo diodo + resistor será então (Fig. 6.5).
a=1/R
Tomemos agora um diodo real em série com um resistor considerando que o diodo
praticamente não conduz no sentido inverso. Determinemos a curva caracterı́stica do dipolo
resultante dessa associação. No sentido direto temos
Então
v = vD + vR = f (i) + R i. (6.5)
Veja a curva caracterı́stica resultante (Fig. 6.6)
i (ampéres)
2
1.5
0.5
0
-1 -0.5 0 vR 0.5 1 v (volts)
vD
v
Para cada valor de resistência do resistor associado em série com o diodo teremos que
traçar uma curva do dipolo diodo + resistor, um processo nada prático! Um processo
Circuitos Elétricos no Domı́nio do Tempo e da Frequência 147
mais eficiente para analisar o ponto de funcionamento (corrente e tensão) do diplo diodo
+ resistor consiste na análise a partir da “reta de carga”que descreveremos a seguir. Da
equação (6.4),
v = vD + R i,
temos que
v vD
i= − , vD = f (i).
R R
Desejamos determinar a corrente que passará pelo diodo quando ao dipolo diodo +
resistor for aplicada uma tensão v = ε. Em princı́pio, deverı́amos resolver a equação
ε vD
i= − , vD = f (i). (6.6)
R R
Contudo, não é possı́vel resolve-la analiticamente devido à forma funcional v D = f (i)
que origina uma equação transcendente. Porém, é possı́vel resolver graficamente a partir
da curva caracterı́stica do diodo i = i(vD ) que é a curva inversa de vD = f (i).
Considerando vD como variável traçamos a reta dada pela equação (6.6) no mesmo
gráfico que contém a curva caracterı́stica do diodo.
Para vD = 0 temos i = ε/R e para i = 0 temos vD = ε. Veja a (Fig. 6.7).
i (ampéres)
e/R i(vD)
i = e/R - vD/R
e vD(volts)
vD vR
O ponto de interseção das duas curvas determina a tensão e a corrente que satisfazem
simultaneamente a equação da reta de carga e a equação do diodo.
i (ampéres)
e2/R i(vD)
e1/R
e1 e2 vD(volts)
i (ampéres)
e/R1
i(vD)
e/R2
e vD(volts)
v 1/RD
v (volts)
Figura 6.10: Modelo do diodo real com resistência direta e respectiva caracterı́stica.
i
i (ampéres)
RD RI
v 1/RD
RI>>RD
v (volts)
1/RI
Figura 6.11: Modelo do diodo real com resistência direta, inversa e respectiva caracterı́stica.
i (ampéres)
i
RD
I v
1/RD
I
v (volts)
Figura 6.12: Modelo do diodo real com resistência direta, fonte de corrente de saturação
inversa e respectiva caracterı́stica.
i i (ampéres)
RD RI
v
1/RD
+ RI >>RD
Vg
-
1/RI Vg v (volts)
Figura 6.13: Modelo do diodo real com resistência direta, inversa, fonte de tensão de ruptura
e respectiva caracterı́stica.
i i (ampéres)
rD
1/rD
v
+
V1
-
V1 v (volts)
Figura 6.14: Modelo do diodo real com resistência diferencial direta, fonte de tensão de
ruptura e respectiva caracterı́stica.
i i
R1
v 1/R1
+
e
- A
e v
i i
R1
v 1/R1 + 1/R2
R2
+ A
e
-
e v
1/R2
i i
R
v
+ v
e A -e/R
-
1/R
Figura 6.17: Circuito 3 com diodo e respectiva caracterı́stica.
R2 i i
R1 v
1/R2
+
e A v
- -e/R1
1/(R1 + R2)
ruptura de cada diodo, cada um correspondendo a uma tensão e a uma corrente nula em
cada diodo e depois unir esses pontos por segmentos de retas. Por exemplo considere a
(Fig. 6.19)
i
i2 i1
R2 v1 D1
v
D2 v2 R1
-
e
+
i (ampéres)
e/R2
A1
1/R2
-e
A2 v (volts)
-e/R1
1/R1
i (ampéres) i
4
R2 R3 R4
3 A4 v
i1 D2 D3 D4
2 A3
1 + + +
i1 A2 e2 e3 e4
- - -
e 2
e 3 e 4
v (volts)
Figura 6.21: Simulação de uma função matemática com a segunda derivada sempre positiva.
Circuitos Elétricos no Domı́nio do Tempo e da Frequência 153
R1
4 -
e /R
3 3
A3
e /R
3 D2 +e 2 v
2 2
2 A2
e /R
1 1 R2
1 A1 -
e R /R
1 0 1 v D3 +e 3
R3
Figura 6.22: Simulação de uma função matemática com a segunda derivada sempre negativa.
i(t) i (ampéres)
+
R vR 1/R
e(t) ~
-
e (volts)
Figura 6.23: Circuito retificador básico com um diodo ideal e caracterı́stica do dipolo diodo
+ resistor de carga.
i (ampéres)
1/R
e (volts) t1 t2 t3 t4 t
t1
t2
t3
t4
t
Figura 6.24: Processo gráfico de transferência da tensão de entrada ε(t) para a corrente i(t)
no diodo.
Portanto
ε0 sen (ωt)
vR (t) = R = ε0 sen (ωt) no semi-ciclo positivo da tensão de entrada
R
e
vR (t) = 0 no semi-ciclo negativo da tensão de entrada.
Veja (Fig. 6.25).
O valor médio (componente contı́nua) da tensão vR (t) será dado por
Z T Z T
1 1 ε0
< vR >= vR (t)dt = ε0 sen (ωt) dt = ≈ 0, 32 ε0 . (6.7)
T 0 T 0 π
Além da componente contı́nua existe a componente alternada que deve ser eliminada
por uma filtragem conveniente.
Circuitos Elétricos no Domı́nio do Tempo e da Frequência 155
e(volts)
e 0
t(s)
vR(volts)
e 0
t(s)
Considere agora que a retificação é feita por um diodo real representado pelo seu modelo
linear com resistência direta e inversa, RD RI , no circuito da figura (Fig. 6.26).
RD
RI
i(t) vR
+
R
e(t) ~
-
Figura 6.26: Circuito retificador básico com um diodo real modelado pelas resistências
direta e inversa.
i
(ampéres) 1/(R+RD)
i0+
e t1 t2 i - t3 t4 t
0
1/(R+RI) t1 (volts)
t2
t3
t4
Figura 6.27: Processo gráfico de transferência da tensão de entrada ε(t) para a corrente i(t)
no diodo.
RD <i(t)>
i(t) vD
+
e(t) ~ C R vR
-
Figura 6.28: Circuito básico de retificação com capacitor em paralelo com o resistor de
carga.
seja, pelo resistor passa praticamente apenas a componente contı́nua dessa corrente. Como
consequência, a componente alternada da tensão vR (t) é desprezı́vel quando comparada
com a componente contı́nua. Nessa condição, vR (t) ≈< vR >= constante e nosso objetivo
é determinar esse valor.
Como
ε(t) = vD (t) + vR (t) e vR (t) =< vR > (6.12)
teremos
vD (t) = ε(t)− < vR > .
Chamemos atenção para o fato de estarmos considerando a tensão v D (t) como a tensão
no diodo real (diodo ideal em série com RD ). Entrando na curva caracterı́stica do dipolo
diodo real , considerando ε(t) = ε0 cos(ωt) e observando que essa tensão está deslocada pelo
valor < vR > temos a (Fig. 6.29).
i
(ampéres)
1/RD
-<vR>
vD(volts) -q0 o q0 q=wt
-q0
o e(t)
q0
e0
q=wt
Vemos que só existirá corrente no diodo no intervalo −θ0 a θ0 que é menor que π
(2θ0 < π) ou seja, θ0 < π/2. Observando a figura vemos que
mas
ε0
< vR >= R < i > ∴ < i >= cos (θ0 ) . (6.14)
R
Da equação (6.12) no intervalo de condução fica
2π −θ0 RD 2πRD 0
ou
ε0
< i >= [sen (θ0 ) − θ0 cos (θ0 )] .
πRD
Substituindo a equação (6.14) fica
ε0 ε0
cos (θ0 ) = [sen (θ0 ) − θ0 cos (θ0 )]
R πRD
πRD
∴ tan (θ0 ) − θ0 = . (6.15)
R
A resolução dessa equação permite, em princı́pio, determinar o valor de θ 0 . Essa equação
é transcendente e só pode ser resolvida por métodos numéricos ou gráficos mas, uma vez
determinado o valor de θ0 , a equação (6.13) fornecerá o valor de < vR >.
Observe que RD R =⇒tan(θ0 ) = θ0 ∴ θ0 = 0, isso significa que o capacitor é
carregado instantaneamente e mantém-se praticamente carregado (pois, por hipótese, a
reatância capacitiva é muito menor que a resistência de carga). Pela equação (6.13) teremos
assim, a tensão média é igual à tensão de pico da fonte e construı́mos então o que se conhece
como “voltı́metro de pico”.
Pela expressão de < vR > em função de θ0 e θ0 em função de R podemos verificar que
essa tensão depende do valor da resistência de carga R e, em outras palavras, da corrente
média < i > em R. A equação (6.15) mostra que o aumento da resistência de carga produz
uma diminuição em θ0 e o consequente aumento da tensão média.
Circuito real onde a reatância capacitiva não é muito menor que a resistência
de carga R
Na situação anterior, havı́amos feito a hipótese de que a capacitância era suficientemete
elevada de modo que só existisse componente contı́nua no resistor de carga. Isso é uma
situação que só é realizável para resistência de carga muito elevada o que não ocorre na
maioria das aplicações dos circuitos retificadores. Nesses casos não podemos desprezar
a componente alternada frente à componente contı́nua. Além disso, a análise teórica é
dificultada pela presença da resistência direta do diodo RD que impede a tensão no capacitor
acompanhar a tensão na fonte durante a condução do diodo. Faremos a hipótese que a
constante de tempo RD C seja suficientemente pequena quando comparada com 1/ω de
modo que a tensão no capacitor acompanhe a tensão da fonte durante a condução do diodo
na figura (Fig. 6.28).
Iniciando em t = 0 com o capacitor descarregado, a medida que a tensão da fonte
ε = ε0 sen(ωt) vai se elevando, o diodo entra em condução e o capacitor começa a carregar-
se. Parte da corrente que atravessa o diodo dirige-se ao capacitor e outra parte dirige-se
ao resistor de carga. Durante a carga a tensão no capacitor segue a tensão da fonte,
vC = ε0 sen(ωt). Após atingir a tensão máxima, ε0 , o capacitor começa a descarregar-se
Circuitos Elétricos no Domı́nio do Tempo e da Frequência 159
sobre o resistor de carga ao mesmo tempo em que a tensão da fonte diminui. Supondo
que a tensão da fonte diminua mais rápido do que a tensão no capacitor descarregando-se
sobre sobre o resistor, haverá um instante em que o diodo deixará de conduzir e a partir
desse ponto o capacitor descarrega-se exponencialmente sobre o resistor até que, no próximo
semi-ciclo positivo, a tensão da fonte volte a crescer e alcance o valor da tensão no capacitor.
Nesse momento, o diodo volta a conduzir e a tensão no capacitor segue a tensão da fonte
repetindo o processo a partir desse ponto (Fig. 6.30).
vR
e0
Figura 6.30: Tensão no resistor de carga no retificador com capacitor em paralelo com esse
resistor de carga.
vC dvC ε0
iD = +C = sen (ωt) + ωCε0 cos (ωt) .
R dt R
Essa corrente pode ser posta na forma
iD = i0 sen (ωt + φ)
onde r
1
i0 = ε 0 + ω 2 C 2 e φ = tan−1 (ωCR) . (6.17)
R2
O diodo parará de conduzir quando iD = 0, ou seja, quando
vR , i
i0
i
e0
vR
Figura 6.31: Tensão no resistor de carga e corrente no diodo no retificador com capacitor
em paralelo.
onde A pode ser calculado a partir do valor da tensão inicial dada por ε0 sen(ωt) quando
t = t1 . Teremos então
t1 t1
ε0 sen (ωt1 ) = Ae− RC ∴ A = ε0 sen (ωt1 ) e RC
D1
vR
+
e(t) R vR(t) e
+ 0
e(t) -
+
- e(t) D1 conduz D1 conduz wt
- D2 conduz D2 conduz
D2
Figura 6.32: Retificação de ciclo completo com transformador com derivação central e dois
diodos.
D1 vR
+ D2 e 0
e(t) R vR(t)
- D3
D1 e D3 D1 e D3 wt
D4
conduzem conduzem
D2 e D4 D2 e D4
conduzem conduzem
vR
D1
e 0
+
e(t) C R vR(t)
+
e(t) -
+
- e(t)
-
wt1 wt2 wt3 wt
D2
D1 conduz D2 conduz D1 conduz
vR
e0
Dvripple
t1 t2 t
T
Teremos
∆vripple
< vR >= ε0 − (6.19)
2
e a ondulação ou tensão “ripple”, ∆vripple , pode ser calculada pelo decréscimo na carga do
capacitor que supostamente tem uma variação linear no tempo,
T
∆q = C∆vripple e ∆q =< i > ∆t =< i >
2
então
T T 1
<i> = C∆vripple ∴ ∆vripple =< i > =< i > .
2 2C 2f C
Desse modo teremos
<i>
2f C <i>
< vR >= ε0 − = ε0 − . (6.20)
2 4f C
célula básica
+ +
~ e(t) e1(t)
- -
- e +
0
2e 0
célula básica - +
+ + +
~ e(t) e1(t) e (t)
2
- - -
- e + célula básica
0 refletida
Figura 6.37: Fonte de tensão, célula básica normal e refletida de um duplicador de tensão.
Acrescentemos agora mais uma célula básica refletida no eixo horizontal, veja (Fig.
6.37).
A tensão ε1 (t) carregará o capacitor até a tensão 2ε0 com a polaridade mostrada na
figura durante a condução do diodo e não poderá descarregar-se através deste. A tensão na
saı́da, ε2 (t) será ε2 (t) = ε1 (t) + 2ε0 = ε0 (sen (ωt) + 1). Observe que o capacitor superior
está carregado com uma tensão 2ε0 , temos portanto um duplicador de tensão.
Acrescentemos agora mais uma célula básica normal, figura (Fig. 6.38).
2e0
célula básica - + célula básica
+ + + +
~ e(t) e1(t) e (t)
2 e (t)
3
- - -
- e + célula básica - +
0 refletida 2 e0
3 e0
A tensão ε2 (t) carregará o capacitor até a tensão 2ε0 com a polaridade mostrada na
figura durante a condução do diodo e não poderá descarregar-se através deste. A tensão
na saı́da, ε3 (t) será ε3 (t) = ε2 (t) − 2ε0 = ε0 (sen (ωt) − 1). Observe que os dois capacitores
inferiores estão conectados em série e a tensão total entre os extremos é 3ε 0 . Temos portanto
um triplicador de tensão.
Acrescentemos agora mais uma célula básica refletida no eixo horizontal, figura (Fig.
6.39).
A tensão ε3 (t) carregará o capacitor até a tensão 2ε0 com a polaridade mostrada na
figura durante a condução do diodo e não poderá descarregar-se através deste. A tensão
na saı́da, ε4 (t) será ε4 (t) = ε3 (t) + 2ε0 = ε0 (sen (ωt) + 1). Observe que os dois capacitores
superiores estão conectados em série e a tensão total entre os extremos é 4ε 0 . Temos
portanto um quadruplicador de tensão.
Esse processo pode continuar indefinidamente obtendo-se tensões múltiplas da amplitude
da tensão da fonte nas associações em série dos capacitores. Observe que, com excessão do
Circuitos Elétricos no Domı́nio do Tempo e da Frequência 165
4 e0
2e 0 2e 0
célula básica - + célula básica - +
+ + + + +
~ e(t) e (t) 1
e (t) e (t)
2 e (t)
3 4
- - - - -
- e + célula básica - 2 e + célula básica
0 refletida refletida 0