Abedalá ibne Iacine: diferenças entre revisões

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== Vida ==
 
Abedalá ibne Iacine nasceu em data incerta na primeira metade do {{séc|XI}}. Pertencia aos [[jazulas]], um grupo [[berberes|berbere]] aparentado com os [[sanhajas]]{{sfn|Colin|1991|p=526-527}} e sua mãe, cujo nome é desconhecido, nasceu na vila de Tamamanaute (''Tamāmānāwt''), na extremidade do deserto que margeia [[Império do Gana|Gana]].{{sfn|Hrbek|Devisse|2010|p=397, 403}}{{sfn|Baers|2022|p=35, nota 3}} Fontes posteriores colocam que teria estudado sete anos no [[Alandalus]], mas seu quase contemporâneo [[Albacri]] coloca dúvidas sobre seu conhecimento do [[Alcorão]] e da [[lei islâmica]]. Em data incerta, tornar-se-ia discípulo de {{ilc|[[Uagague ibne Zalu Alanti||Waggag ibn Zallu al-Lamti}}]], um teólogo [[maliquismo|maliquita]] cuja escola (''dār al‑murābitūn'') estava em Malcus, perto de [[Sijilmassa]]. A posição de ibne Iacine dentro da escola é incerta, mas em 1038 foi escolhido por Uagague para acompanhar [[Iáia ibne Ibraim Aljudali]] às terras dos sanhajas com o intuito de convertê-los. Ivan Hrbek e Jean Devisse propuseram que isso implica que Uagague tinha consciência das capacidades de ibne Iacine, independente das ressalvas de Albacri, o que está de acordo com o [[cádi Iade]], que ao referir-se a ibne Iacine o chamou de piedoso e sábio.{{sfn|Hrbek|Devisse|2010|p=403, nota 30}}
 
A atividade missionária de ibne Iacine começou em 1039, e por estar sob proteção pessoal de Iáia ibne Ibraim, logrou resultados. Os [[judalas]], a tribo a qual Iáia pertencia, e os sanhajas em geral, já estavam convertidos ao islamismo nesse momento, mas sua adesão era frouxa e pouco ortodoxa.{{sfn|El Fasi|Hrbek|2010|p=81-88}} Ibne Iacine buscou fortalecer ou reformar a fé dos judalas e reuniu junto a si alguns discípulos. Sem que se saiba datas exatas desses eventos, as fontes islâmicas registram que envolveu-se num ataque contra os [[lantunas]], que refugiaram-se no [[planalto de Adrar]], e na fundação da cidade de Arate-ne-ana (''Arat‑n‑anna'') que, seguindo suas concepções igualitárias, tinha todas as casas da mesma altura. Ibne Iacine era rígido quanto à observância e disciplina dos deveres religiosos, mantinha convicções puritanas e igualitárias e expunha seu desprezo aos valores sociais e tabus entre os sanhajas, o que suscitou um eventual conflito com o [[alfaqui]] Jauar ibne Sacane. Por conseguinte, em 1048, no rescaldo da morte de seu protetor Iáia, seu alinhamento com um pretendente malogrado à posição de chefe causou-lhe uma contenda com os nobres judalas Aiar e Intacu e a perda de sua residência em Arate-ne-ana.{{sfn|Hrbek|Devisse|2010|p=404-405}}