1. |
Chifres de Âmbar
06:08
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Refulge na clareira espessa
Um trono de lenha envolto em seiva
Sob o domínio da floresta
Fados sem justiça verdadeira
Há um calor no manto do solo
Que nos traz ira, que nos traz sono
Em muitas línguas eles oram
No ermo da mata, um pranto sem dono
As chamas dançam ao céu atroz
Um destino hesitante em lamento
Estrelas se alinham por nós
E então corpos insepultos queimam
Cinzas manam pelo rio
Onde o fluxo beija a lua
À sua margem um covil
Sinfonia taciturna
Água em caos de voz profunda
Tão sombria quanto a sua
Que espera e que perdura
Submersa na penumbra
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2. |
Serpentes e Raízes
04:48
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Num campo de margaridas floridas
Turva é a névoa que almejo afastar
A noite oscila a certeza da vida
Quebrada na brasa em que arde o altar
Com beijos de lâmina, os veios abrem
Seu tronco desbota como uma lápide
Os nossos nomes, cravados na árvore
Demandam sulco vermelho escarlate
Vão
Nos escombros do remorso
Nosso excesso é soterrado
As serpentes e raízes
Valam as sobras de um legado
Do naufrágio vem a sede
Profecia do oceano
Não há nenhum lar de deuses
Sem suor e linfa humanos
Cobrem-se do sol
Na sombra da cruz
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3. |
Coágulo
09:22
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Com as unhas cravadas no súber arbóreo
A nudez de seu corpo reluz na bruma
Um punhal repousa no berço do ódio
E retorce a lesão que a úlcera espuma
No escuro, vestígio de um canto ao espírito
As folhas encontram no leito o seu fim
Os meus dedos laceram a pele ferida
Coágulo — a treva consome o carmim
Espera, no banho da cútis enferma
O pecado expurgar seu breu disfarçado
A mortalha do mundo acende a centelha
Na amargura vil do que jaz no passado
No âmago, um túmulo fendido e raso
Aguarda a fadiga de toda a revolta
A ânsia manifesta o seu epitáfio
A terra é o sepulcro da fé natimorta
Ouvem uma língua ignota
Deglutem a paz como hóstia
Mais numerosos que areia nos mares
Aves se saciam com suas carnes
Caminham em terreno embebido em sangue
Cólera serpeia em suas espinhas
Vivem entre bestas, nelas se consomem
Não há futuro a escapar da ruína
A crença pairante abranda
E solve toda a esperança
Erros são canonizados ao vento
Nós também somos o que nós perdemos
“Abençoados sejam os ossos de meus inimigos. Eles não serão perdoados e não serão esquecidos.”
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Oneance Brasília, Brazil
Projeto musical brasileiro de metal alternativo formado em 2016. As composições e performances são realizadas por A., que também efetua a mixagem e a masterização das músicas.
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