Cureety a republié ceci
O futuro da saúde é comandado pelas escolhas humanas, não pela tecnologia. São as escolhas dos profissionais de saúde, das direções hospitalares e dos restantes intervenientes que lideram e moldam o desenvolvimento tecnológico. Onde colocam a atenção, as necessidades que decidem endereçar, a informação que decidem recolher, o conhecimento que dela extraem, as lacunas que decidem partilhar junto de investigadores, farmacêuticas, engenheiros, programadores, entidades financiadoras e governativas, os parceiros que decidem envolver e as apostas que as organizações fazem nos seus profissionais que determinam quão preparados, motivados e disponíveis estarão para atuar como agentes de inovação e as soluções desenvolvidas. Mas as escolhas humanas não determinam o futuro da saúde apenas através da tecnologia. As decisões tomadas pelos profissionais de saúde sobre quão acessíveis querem estar para os doentes, como querem ouvir, o que querem dizer, como querem fazer o doente sentir e em que momentos pretendem usar a tecnologia para se libertarem para um acompanhamento mais humano e personalizado empurram a saúde mais longe. Dão-lhe uma direção mais relacional, mais organizativa e mais consciente dos momentos em que um doente pode precisar de cuidados. Em oncologia, esta realidade é particularmente evidente. A urgência, o volume crescente de doentes, a incerteza do desfecho, o medo da morte e das sequelas, a identificação com o sofrimento e a pressão sobre os recursos disponíveis fazem com que as decisões humanas e, consequentemente, o futuro da saúde em oncologia fiquem, muitas vezes, limitados à inovação tecnológica, farmacológica e terapêutica. E essa prioridade é absolutamente compreensível, pois significa mais remissões, mais sobreviventes e uma melhor qualidade de vida. Mas continua a faltar disponibilidade mental para avançarmos mais depressa no domínio relacional e organizativo. Continua a faltar tempo para compreender, desenhar e implementar mudanças nos pontos de contacto entre pessoas e entre pessoas e sistemas. Não é suficiente ser reativo e fazer ajustes quando as necessidades se tornam urgentes pela sua gravidade ou dimensão. Continua a faltar conhecimento sobre a variabilidade da eficácia dos tratamentos, dos seus efeitos adversos e das decisões tomadas ao longo do percurso clínico. As escolhas humanas em falta e os potenciais ganhos de eficácia beneficiam da tecnologia para recolher e processar informação. Mas são, antes de tudo, movidas pela sensibilidade e pela empatia. É daí que nasce o primeiro nível de informação. Há algumas semanas, no Medica AI, organizado pela Champalimaud Foundation, o Prof. Pedro Gouveia lembrou-nos disso. Na Cureety, temos o privilégio de participar diariamente nesta transformação: libertar tempo, aproximar as equipas dos doentes e transformar dados em conhecimento, devolvendo mais espaço às decisões humanas sobre como querem cuidar, que cuidados prestar, quando e por que ordem.