Há quase vinte dias, é nas ruas geométricas e matemáticas de Nova York que meu coração se derrete mais um pouco; e a cada canto é um respiro diferente, uma emoção, um suspiro, uma pulsação. Um sentimento de dever cumprido, comprido. “Porque o mundo, apesar de redondo, tem muitas esquinas”, li certa vez. E é um pouco nesses desdobramentos de uma vida moldada em tantos filmes e séries que eu vim me encontrar. Num calor abafado e hostil de plataforma de metrô, num céu de azul intenso recortado por muitos prédios muito altos, num primeiro beijo roubado no meio da Times Square de madrugada, nas luzes frenéticas e neuróticas da cidade que nunca dorme, numa Califórnia acolhedora de amigos e paisagens e viagens de carro e promessas de futuro.
Fico cheia de borboletas narrando o tanto de aventuras que ainda me esperam, aqui, ali, acolá. Em poucas semanas cruzo o Atlântico de novo, e esse pobre coração, já tão ferido de amar errado, parece não se preocupar mais em buscar novos curativos pelo caminho. Que assim seja, então: primavera, outono, verão.