A coisa mais linda que tem no novo filme do Woody Allen, “Midnight in Paris”, não é a Paris romântica debaixo de chuva ou o charme rabugento irresistível de Hemingway. É a mensagem de que a gente tende mesmo a romantizar o passado, achar que tudo era mais bonito interessante feliz melhor antigamente. Mas se tivéssemos mesmo a chance de voltar, veríamos que nem tudo são flores, que toda época tem seu lado bom e ruim, como tudo na vida, a-dor-e-a-delícia-de-ser-o-que-é. Sei que a lição é meio batida, mas é repetida over and over again porque a gente esquece mesmo, com essa mania besta de sempre achar que a grama do vizinho é mais verde, ou que o passado/futuro era/será melhor, quando tudo o que temos em nossas mãos, de fato, é o hoje, nada mais.
Mais de 90 pessoas morreram na Noruega, e outras tantas se vão todos os dias, de fome, frio, acidente. E, na nossa rotina no piloto-automático, a gente nem pensa em morte. O que seria bom, se a gente pensasse mais em vida. Mas não é o caso – na maioria das vezes, a gente só deixa viver.
Nota mental do dia: só pensar no presente. Ou, como disse Ivi neste texto bonito, “pior do que morrer é não se perceber vivo“.
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“Pick the day. Enjoy it – to the hilt. The day as it comes. People as they come… The past, I think, has helped me appreciate the present – and I don’t want to spoil any of it by fretting about the future.”
(Audrey Hepburn, via Lu, minha ex-chefe, tão querida)

