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24 de junho de 2015

RESENHA: CONTOS DE IMAGINAÇÃO E MISTÉRIO - Edgar Allan Poe (Ed. Tordesilhas)



Olá, pessoal!

Hoje trago para vocês a resenha de CONTOS DE IMAGINAÇÃO E MISTÉRIO do EDGAR ALLAN POE, lançado pela editora TORDESILHAS.

Contos de Imaginação e MistérioCONTOS DE IMAGINAÇÃO E MISTÉRIO
EDGAR ALLAN POE
Editora: TORDESILHAS              
Ano: 2012
Nº págs: 424
Gênero: Contos, Terror, Horror, Suspense

SINOPSE: 1917. O exímio artista irlandês Harry Clarke se encarrega de um dos trabalhos que determinariam sua fama: a ilustração do clássico de Edgar Allan Poe, "Contos de Imaginação e Mistério". Preparada pela editora Harrap e publicada em Londres em 1919, a edição foi reconhecida imediatamente como uma das joias bibliográficas da época. Desde Então, os desenhos de Clarke continuam exercendo um estranho magnetismo, fruto de uma bela e trabalhosa execução que honrou as histórias sublimes que a inspiraram. Essa edição lendária é retomada aqui com o prefácio de Charles Baudelaire sobre o autor.

Antes de qualquer coisa, preciso dizer que essa edição da TORDESILHAS está lindíssima e de encher os olhos. Poucas vezes vi uma edição tão caprichada. Do POE então... Não temos muita sorte por aqui, pois tudo que nos é oferecido do autor são edições de bolso ou edições com a obra completa em papel bíblia. A TORDESILHAS de fato caprichou, e para ficar melhor, só falta lançar mais volumes dessa coleção com o restante dos contos e com os poemas também. Portanto, vamos mandar MUITOS emails para a TORDESILHAS pedindo ;)

Dito isso, vou estruturar essa resenha da mesma forma que fiz com o livro TRIPULAÇÃO DE ESQUELETOS do KING, ou seja, vou falar sobre os contos em forma de diário, contanto como foi cada dia da leitura desse magnífico livro.

Então, vamos lá:

04/04/2015 – Leitura do Prefácio e dos contos WILLIAN WILSON e O POÇO E O PÊNDULO:
O prefácio do livro foi escrito por ninguém menos que CHARLES BAUDELAIRE, daí já podemos ter uma ideia que coisa boa e críticas ferrenhas vêm pela frente.
BAUDELAIRE abre o Prefácio fazendo uma crítica àqueles que velam como literatura apenas a Estética Clássica, e que o discurso acadêmico diz ser vergonhoso não obedecer tal “lei”. Esse início já chamou minha atenção logo de cara, pois na época em que cursei Letras, tinha professores que pensavam desse mesmo jeito, e adorei ver BAUDELAIRE dando essa “alfinetada”. Aliás, não faltaram “alfinetadas” por parte do autor, principalmente ao falar dos críticos americanos que não reconheciam POE como grande poeta e também não lhe davam o devido valor como crítico literário. Diante disso, explicou como POE aplicava a critica literária de acordo com suas três categorias. Depois de muitos elogios ao autor gótico, fez ainda muitos mais ao gênero CONTO e o consagrou como sendo muitas vezes superior até mesmo ao poema:
“[o conto possui] uma enorme gama de nuances de linguagem”
p.17

Mas é claro que ele não relega seus elogios a POE apenas como contista, mas lhe faz diversas observações sobre o grande poeta que foi. O que mais gostei nesse prefácio foi a sensação de voltar as aulas de literatura e de sentir que BAUDELAIRE deu um “cala boca” em muitos críticos <3.

Depois de ter me apaixonado por essa introdução, mergulhei na leitura dos dois primeiros contos:

WILLIAN WILSON
Apesar de já ler lido MUITOS dos contos do POE, não me lembrava de ter lido esse, e creio que se o tivesse feito iria me lembrar, pois o achei fantástico! Adoro a forma como POE explora a mente humana e suas mazelas, e esse conto fala exatamente disso. Quando Willian Wilson começa contando sobre seu xará, já sabemos as razões de ele existir ali, e confesso ter ficado com dó do personagem muitas vezes, principalmente pelo fato de POE explorar a loucura de forma tão magnânima. Mesmo sem trazer surpresa alguma durante todo o conto, ainda assim a finalização foi deveras impressionante. Esse vai para minha listinha de preferidos do POE, junto com O GATO PRETO e alguns outros.

O POÇO E O PÊNDULO
Esse é mais um conto magistral em que POE retrata o sofrimento humano, seja emocional ou físico, de forma estupenda! O narrador passa por terrores e temores tão profundos que o final é completamente surpreendente. Já li esse conto mais de uma vez, mas sempre me surpreendo com o final, pois o medo e a angústia que cercam o personagem são tão genuínos que saltam das páginas e nos atinge diretamente, fazendo com que seu pavor seja nosso pavor, e sua loucura seja nossa loucura. Por toda maldade existente na psique dos torturadores que se “agarram” ao narrador, considero esse um dos contos mais densos e fortes do autor.


12/04/2015 – Leitura de MANUSCRITO ENCONTRADO NUMA GARRAFA e O GATO PRETO
Depois de alguns dias sem ler nenhum dos contos, no domingo resolvi dar continuidade à leitura.
MANUSCRITO ENCONTRADO NUMA GARRAFA foi um conto soberbo, como me lembrava de ser. Adoro histórias com navios, tempestades e sobreviventes. Além de tudo isso, nesse conto POE também pende um pouco para a ficção científica ao falar de outra dimensão. Ainda estou no começo do livro, mas por já conhecer esse conto e muitos outros do POE, digo que é um dos melhores *_*.

O GATO PRETO é um conto que dispensa apresentações. Acredito que esse é um dos mais famosos contos do POE e por mais que eu mesma saiba que existem contos melhores que este, ainda é o meu preferido. Costumo ler esse conto umas 3 ou 4 vezes por ano e nunca me enjoo dele, assim como nunca deixo de me surpreender ou de achá-lo apavorante, rs. Tenho certeza de que até terminar esse livro voltarei a ele muitas e muitas vezes, pois não consigo pensar em POE sem imaginar imediatamente O GATO PRETO.

13/04/2015 – Leitura de OS FATOS DO CASO DO SR. VALDEMAR
Já conhecia esse conto, por isso, sabia como iria terminar, mas isso não influenciou nadinha meu desespero durante a leitura, que foi enorme e angustiante ao ver o que acontecia com o moribundo. Apesar de já conhecido, adoro esse conto e acho que é um dos melhores finais de POE *_*



12/05/2015 – Leitura de O CORAÇÃO DENUNCIADOR e UMA DESCIDA NO MAELSTROM

Fiquei um tempão sem ler os contos do POE, mas fiquei feliz por finalmente poder voltar a ficar na companhia desse magnífico autor.

O CORAÇÃO DENUNCIADOR é um conto bastante famoso do POE e já o li diversas vezes. Adoro a forma como a neurose, loucura e impaciência se instalam no narrador, fazendo com que ele seja brilhante para esconder seus atos, mas delatando a si mesmo quando a lucidez some de seu ser.

UMA DESCIDA NO MAELSTROM é um conto sobre morte. É fabulosa a forma como POE consegue transformar uma aventura em algo sombrio e decadente. É um bom conto, mas não figura entre meus preferidos ao autor.



02/06/2015 – Leitura de O BARRIL DE AMONTILLADO, A MÁSCARA DA MORTE VERMELHA, ENTERRO PREMATURO e O ENCONTRO MARCADO
Fiquei um tempão sem ler o livro e no dia 2 finalmente retomei a leitura. Não gosto de ler livros de contos de uma vez e sim 2 ou 3 por dia, mas demorei demais para terminar esse livro por conta dos muitos livros de parceria.

O BARRIL DE AMONTILLADO foi um dos contos que menos gostei. Ainda não conhecia ele e não achei grande coisa, tirando o final, que foi magistral, mas o começo e meio não foram tão envolventes quanto vários outros contos do POE

A MÁSCARA DA MORTE VERMELHA é bastante conhecido e impressionante. Simplesmente adoro esse conto, a tensão de suas páginas, a angústia que ele passa e a forma como termina. Adoro, adoro, adoro!

ENTERRO PREMATURO é um dos contos mais sinistros, angustiantes e perturbadores do POE. O próprio título já deixa explicito sobre o que vai falar. É medonho e delicioso <3 E percebemos que o autor tem um fraco por esse tipo de enterro :S



03/06/2015 – Leitura de MORELLA, BERENICE e LIGEIA
MORELLA é um conto sobre casamento, amor (ou falta dele) e morte. Acho que não preciso falar mais nada, rs.

BERENICE é mais um conto sobre amor e morte, mas a ele somam-se doenças e obsessão. DIVINO!

LIGEIA é o terceiro conto seguido que fala do amor e morte, mas considerei-o mais fraco que os outros dois... Não sei a razão, mas ele não me atraiu tanto quanto os outros.



04/06/2015 – Leitura de A QUEDA DA CASA DE USHER, O COLÓQUIO DE MONOS E UNA e SILÊNCIO – UMA FÁBULA
A QUEDA DA CASA DE USHER é um dos contos mais famosos do POE e também um dos mais assustadores, em minha opinião. O autor gosta muito do mote do enterrado vivo e aqui ele apresenta uma história magistral com o tema.

O COLÓQUIO DE MONOS E UNA é mais um conto sobre a morte. POE é mestre em retratar o tema, mas não coloco esse como um de meus preferidos.

SILÊNCIO – UMA FÁBULA nesse conto temos a presença especial do senhor das trevas. Acho que não preciso falar mais ^^



05/06/2015 – Leitura de O ESCARAVELHO DE OURO e OS ASSASSINATOS DA RUA MORGUE
O ESCARAVELHO DE OURO é um conto que mescla suspense com aventura. Considero-o diferente dos demais por causa disso e um exemplo belíssimo dos toques enigmáticos do autor. É bastante conhecido também.

OS ASSASSINATOS DA RUA MORGUE acreditem, eu NUNCA havia lido o mais famoso dos contos do POE, mas tenho um bom motivo: sempre que alguém falava do autor, eu lembrava desse conto e, infelizmente, foram várias as pessoas idiotas que passaram por minha vida e que deram um tremendo spoiler sobre o final desse mistério. Conclusão: esperei que anos e anos se passassem para ver se eu me desapegava e esquecia do final. Obviamente, por ser uma coisa tão diferente, nunca esqueci e aí tive que ler já sabendo o desfecho ¬¬ Claro que foi uma leitura divina e obtive prazer em cada palavra, mas não nego que teria ficado muito mais feliz e satisfeita se não soubesse diante mão o que iria acontecer. Foi fantástico, mas queria poder saborear o descobrimento final L



06/06/2015 – Leitura de O MISTÉRIO DE MARIE ROGET, O REI PESTE e LEONIZANDO.
O MISTÉRIO DE MARIA ROGET é também um dos contos mais famosos do POE, e assim como OS ASSASSINATOS DA RUA MORGUE traz o detetive Dupin como protagonista. Eu ainda não havia lido nenhuma das histórias com Dupin e achei essa brilhante. Fiquei ainda mais extasiada pelo conto quando busquei informações e descobri que POE se baseou em um caso real de assassinato pra escrevê-lo.

O REI PESTE. Morte, peste e maldição estão presentes nesse conto do POE, que me surpreendeu do começo ao fim. Apesar de já ter lido muitos dos contos do autor presentes no livro, eu jamais havia ouvido falar nesse, e foi uma das leituras mais gratas de CONTOS DE IMAGINAÇÃO E MISTÉRIO.

LEONIZANDO é o conto que fecha o livro e apesar de não perder o ar sombrio de POE é mais ameno e até mesmo cômico. Foi bel lega, mas prefiro os contos sinistros.


Depois de mais de dois meses em companhia desse livro de contos, por fim o terminei. O mais magnífico nessa leitura foi o fato de os contos serem narrados em primeira pessoa, muitas vezes por um narrador não identificado, e isso me fez imaginar que cada um desses narradores fosse a verdadeira personalidade do enigmático POE, um autor que sempre deixou lacunas sobre sua vida.


A edição da TORDESILHAS para CONTOS DE IMAGINAÇÃO E MISTÉRIO está soberba! Capa dura, prefácio feito pelo Baudelaire, folhas amarelas e tamanho de fonte excelente. É um livro magnífico! Leiam! <3 


19 de março de 2015

INDICAÇÃO: O EXORCISTA - William Peter Blatty (Ed. Agir)



Olá, pessoal!

Semana passada alguns de vocês acompanharam a maratona literária que fiz no fim de semana. Embalada pela sexta-feira 13, resolvi ler alguns livros de terror e policiais e finalizar ou dar andamento em outras leituras dos gêneros. Para virar a madrugada de sexta, escolhi a companhia de O EXORCISTA, livro que já estava curiosa para ler há muito tempo.

O ExorcistaO EXORCISTA
WILLIAM PETER BLATTY
Editora: AGIR          
Ano: 2013 
Nº págs: 336
Gênero: Terror, Horror

SINOPSE: O mal toma várias formas e a literatura e o cinema parecem se desafiar a criar inúmeras personificações desse mal. Seja com monstros, formas deformadas de nós mesmos, ou demônios, a indústria do entretenimento sempre foi bem-sucedida em representar a essência do nosso lado mais reprovável. O exorcista, no entanto, conseguiu ultrapassar esse limite. Inspirado em uma matéria sobre o exorcismo de um garoto de 14 anos, o escritor William Peter Blatty publicou em 1971 a perturbadora história de Chris MacNeil, uma atriz e mãe que está filmando em Georgetown e sofre com as inesperadas mudanças de comportamento de sua filha de 11 anos, Regan. Quando a ciência não consegue descobrir o que há de errado com a menina e uma nova personalidade demoníaca parece vir à tona, Chris busca a ajuda da Igreja no que parece ser um raro caso de possessão demoníaca. Cabe a Damien Karras, um padre da universidade de Georgetown, salvar a alma de Regan, enquanto tenta restabelecer sua fé, abalada desde a morte de sua mãe. Em O exorcista, Blatty conseguiu dar ao demônio a sua face mais revoltante: a corrupção da alma de uma criança. A jovem Regan é, ao mesmo tempo, o mal e sua vítima. Ela recebe a pena e a revolta dos leitores e espectadores em doses equivalentes e, mesmo quarenta anos depois, seu sofrimento e o abismo entre o que ela era e o que se torna continuam nos atormentando a cada página, a cada cena. Até, enfim, descobrirmos que não se trata apenas de uma simples história sobre o bem contra o mal, ou sobre Deus contra o demônio, mas sobre a renovação da fé.

Como a história é bastante conhecida de todos, nada do que eu disser aqui soará como SPOILER, no entanto, nesse post de INDICAÇÃO quero aproveitar para enaltecer algumas diferenças entre o livro e o tão famoso filme.

Não nego que achei ambos bem semelhantes. Fiquei bastante feliz ao constatar com a leitura que o filme foi o mais fiel possível à obra. Isso me surpreendeu, ainda mais pelo fato de as adaptações sempre mudarem tantas coisas. Mas claro que isso também pode ter ocorrido pelo fato de BLATTY ter sido o roteirista do filme.

Mas vamos falar logo das diferenças em O EXORCISTA:

A primeira coisa que gostei muito foi de conhecer mais o passado de Chris, mãe de Regan. Alguns pontos não foram tão explorados no filme e foi muito bom conhecer alguns fatos.
Outro ponto de maior destaque no livro foi o fator científico. Foram muitas as páginas em que médicos e até mesmo o padre Karras, que também é médico além de padre, tentaram encontrar explicações científicas para o que estava acontecendo com a garota. Sei que no filme isso também acontece, mas foram em breves pinceladas. No livro, essa abordagem é mais profunda e mais justificada, sendo possível perceber que houve um trabalho de pesquisa bastante grande para explicar os fatos através da medicina e de possíveis doenças.
Mais um ponto de destaque no livro foi a investigação acerca da morte do diretor Burke. No filme também temos a investigação acontecendo, mas ela parece ser mais superficial, enquanto que no livro ela ocupa muitas páginas e perpassa por alguns suspeitos. Não nego que o investigador me irritou em alguns momentos, mas como vocês sabem que adoro histórias policiais, essa vertente me deu um verdadeiro e assombroso prazer em acompanhar, mesmo porque achei adorável imaginar a cara de tacho que o investigador fazia cada vez que dava com os burros n’água.
Mas o que mais me agradou foi a abordagem religiosa, que também existe de forma parca no filme. No livro, BLATTY foi mestre em expressar o lado "maligno" da religião e falar de seitas e rituais. Acho que isso acabou me chocando mais que a possessão em si. Foram diversas as passagens em que o autor escreveu uma missa negra, dando ênfase e MUITOS detalhes sinistros do que acontecia nela. Foram partes assustadoras, mas confesso: soberbas!
Por fim, preciso falar sobre a cena do exorcismo, que dá uma agonia imensa no filme, mas que no livro pareceu se tornar eterna. Gente, não acabava mais! Que desespero foi me dando ao ler, ler, ler e ver que o padre Karras e Merrin continuavam ali! Parecia que o demo não ia sair nunca do corpo da Regan! Fiquei em “pandarecos” com essa parte.

Pra quem adora o filme, não pode deixar de conferir. Para quem tem curiosidade, também deve ler O EXORCISTA. O livro assusta, mas não senti medo como pensei que teria e dormi normalmente. Foi uma leitura compensadora! Recomendo MUITO e por isso fiz esse post de INDICAÇÃO, pois gostaria que vocês lessem também J




22 de setembro de 2011

RESENHA: AO CAIR DA NOITE - Stephen King (Suma)

Boa tarde, galera!

Estou empolgadíssima para apresentar a vocês a resenha de hoje. Trata-se de um livro de um de meus autores preferidos: Stephen King.


AO CAIR DA NOITE foi o último livro do autor lançado no Brasil pela Suma de Letras, selo da Objetiva. O livro é composto por treze contos, mas antes de falar desses contos, quero dizer o que penso sobre o King como contista: não gosto L. Tenho um bom motivo para não gostar, pois considero King um autor bastante prolixo e esse é o principal motivo pelo qual AMO suas obras. Adoro seus excessos de palavras, descrições e sentimentos, mas tudo isso, muitas vezes, fica de fora em seus contos, que tendem a ser mais condensados. No entanto, AO CAIR DA NOITE me surpreendeu. Não, eu não gostei de todos os contos, mas gostei da maioria e quatro deles fizeram com que eu me encantasse pelo livro. É sobre esses quatro de minha preferência que vou falar.

A CORREDORA é o segundo conto do livro. Creio que gostei muito dele por ser excessivamente longo para um conto. Bastante detalhado, conta a história de uma mulher que perdeu sua filha bebê e que para se libertar da dor corria muitos quilômetros por dia. Isso acabou por afastá-la do convívio com o marido e a sociedade, indo morar em uma casa em uma praia bastante afastada. Porém, um dia, a praia recebe um visitante sinistro que a faz viver muitos momentos de tensão, e correr é tudo que ela pode fazer para se salvar.

Nesse conto King nos causa bastante desespero, pois ficamos ansiosos demais para que a perseguição tenha um fim. Li o conto duas vezes, pois pulei vários parágrafos na primeira, por estar agoniada e curiosa demais para saber o que iria acontecer.

O SONHO DE HARVEY fala sobre um homem com suas filhas já criadas e que acorda todos os sábados e fica sentado em um sofá olhando para o nada. Sua esposa preocupa-se com o Alzheimer, mas naquele sábado o que Harvey teve foi um terrível sonho, e o conta para que ele não se torne real.

De todos os contos do livro, achei esse o mais triste, o que mais me comoveu e mais mexeu com meu lado emocional.

N. Esse é, em minha opinião, o melhor conto do livro. Medo, agonia e angústia se mesclam na leitura desse conto. N é um paciente que sofre intensamente com TOC, ao procurar um psiquiatra ele revela como tudo começou, como se tornou um obsessivo por números, toques e organização. O problema é que a história por trás de sua compulsão é bastante forte e aterrorizante e, em alguns momentos, até seu médico crê nelas (imaginem a gente então). Com a morte de N o psiquiatra resolve averiguar  se o que seu paciente contava era verdade ou invencionices de uma mente nada sã, e se surpreende com as resposta que encontra.

Confesso que fiquei MUITO impressionada com esse conto já no início, pois o paciente N sofria de insônia, eu sofro de insônia; ele tem uma mania terrível de organização e eu também :S. Imediatamente me identifiquei com o personagem, talvez, por isso, o conto tenha me dado tanto medo. Nas notas finais King diz que espera que algum desses contos nos deixe acordados após apagar as luzes. Esse me deixou bem mais que acordada...

O GATO DOS INFERNOS. Amo gatos, e adoro contos com eles. Apreciei demais esse conto do King, pois como vocês podem prever pelo título, o gato é o malvado da história. Aqui, um homem que fez experiências científicas com gatos para criar um remédio humano, acredita que o bichano que surgiu em sua casa está lá para se vingar da morte de seus 15 mil (!!!!) companheiros. O conto não chega a dar medo, mas sim uma sensação (gostosa, confesso) de justiça.

King me fez feliz demais com esse conto. Adorei o fato de o gato ser mal e ninguém conseguir fazer nenhum mal a ele. Até hoje sofro quando leio GATO PRETO do Poe, apesar de adorar o final, me remôo de dor com os sofrimentos causados ao gatinho. 


O que mais gosto no King é isso, a intensidade e variedade de sentimentos que ele cria no leitor. Apesar de ele ser considerado um autor de horror, muitas de suas histórias nos tocam no coração e nos emocionam. Em AO CAIR DA NOITE, vários contos tem como base a relação entre homem X mulher. Após ler e me emocionar com a intensidade do amor e companheirismo em  LOVE – A HISTÓRIA DE LISEY, passei a gostar mais dos contos do King que envolvem casais, e, AO CAIR DA NOITE, tem vários desses contos como exemplo.

 Outro ponto que apreciei imensamente no livro foi a introdução escrita pelo próprio King, em que ele fala como é escrever contos, como é seu desenvolvimento, quando começou a escrevê-los, etc. E, não bastando a maravilhosa introdução, ao final do livro temos as NOTAS, com a explicação de onde vieram as ideias e inspirações para cada um dos contos que compõem o livro.

Talvez muitos dos fãs do King não concordem comigo, mas devido aos contos N e O GATO DOS INFERNOS, considero AO CAIR DA NOITE meu livro preferido de contos do mestre. Vocês não podem, e não devem, deixar de ler!



FICHA DO LIVRO


            AO CAIR DA NOITE
STEPHEN KING
Editora: SUMA DE LETRAS                          
Ano: 2011                   
Nº págs: 398
Gênero: Sobrenatural, Horror, Terror



Cortesia da editora para resenha. 

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