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quinta-feira, 22 de maio de 2014

POEMA-2




Atravesso o jardim, de manhã,
até beber o último trago de névoa.

As estátuas empurram-me com
os seus braços brancos.

Um cisne confunde-se
com um jarro;

mas não sei se o lago
se confunde com ele.

No banco, um fantasma
estende-me uma chávena de café.

No fundo, discutimos ambos
um problema de existência.

É que nem ele nem eu
temos a certeza um do outro

quando a cidade, no Outono,
se veste de nuvem.

NUNO JÚDICE,
in O Movimento do Mundo

domingo, 8 de setembro de 2013

QUADRA MELANCÓLICA



Nas casas antigas onde a morte se instala,
abrem-se janelas, o sol pode entrar;
e as sombras sentadas nos sofás da sala
esfregam os olhos para não chorar.

Nuno Júdice 
in Poesia Reunida, 1967-2000





quinta-feira, 28 de junho de 2012

ACORDAR



Um pássaro canta de fora da janela;
o sol da manhã despeja a sua luz
sobre o campo. Ela ocupa-se em nada,
como a libélula que procura
os filamentos de brilho na água
do charco. E a vida declina
na oblíqua sonolência dos seus olhos.

Nuno Júdice