Mostrando postagens com marcador Helena Kolody. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Helena Kolody. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 23 de julho de 2015

FIM DE JORNADA


 
 
Caminhar ao encontro da noite.
Como o camponês regressa ao lar.
Após um longo dia de verão.
 
Sem pressa ou cuidado.
Na tarde ouro e cinza.
Sozinho entre os campos lavrados.
E as colinas distantes.
 
Caminhar, ao encontro da noite.
Sem pressa ou cuidado.
A noite é somente uma pausa de sombra.
Entre um dia e outro dia.
 
 
Helena Kolody,
in Vida Breve

sábado, 28 de março de 2015

ARAUCÁRIA





Nasci forte e altiva,
Solitária.
Ascendo em linha reta
- Uma coluna verde-escura
No verde cambiante da campina.
Estendo braços hirtos e serenos

Não há na minha fronte
Nem veludos quentes de folhas
Nem risos vermelhos de flores,
Nem vinhos estoantes de perfumes.
Só há o odor agreste da resina
E o sabor primitivo dos frutos.

Espalmo a taça verde no infinito.
Embalo o sono dos ninhos
Ocultos em meus espinhos,
Na silente nudez do meu isolamento



Helena Kolody











quarta-feira, 26 de novembro de 2014

INTERCORRÊNCIA




Entre o gesto e a sombra,
há luz e distância
e uma geometria
de ângulos e planos.

Helena Kolody
(in Tempo, 1970)

NOITE




Luar nos cabelos.
Constelações na memória.
Orvalho no olhar.


- Helena Kolody,
in Viagem no Espelho

domingo, 5 de outubro de 2014

OLHAR



Tinha o olhar distante,
cheio de saudade.
Um olhar perdido
numa outra idade.

Helena Kolody,
in Infinita Sinfonia



OLHOS




Na face menina,
os olhos antigos
como a dor do mundo.

Helena Kolody,
in Infinita Sinfonia



quinta-feira, 14 de agosto de 2014

NAVEGANTE




Navegou
no veleiro dos livros.

Desembarcou
e conferiu.

E o mundo que viu
não era o que imaginou.


Helena Kolody,
in Viagem no Espelho

quinta-feira, 24 de julho de 2014

CIRCUITO




Os olhos que mergulham no poema
completam o circuito da poesia.

Helena Kolody,
in Infinito Presente, 1980)

POETA



O poeta nasce no poema,
inventa-se em palavras.

Helena Kolody,
in Infinito Presente, 1980)


terça-feira, 22 de julho de 2014

IPÊS FLORIDOS

(foto by Washington Takeuchi )

Festa das lanternas!
Os ipês estão luzindo
De globos cor-de-ouro.


Helena Kolody
In ‘Luz Infinita’


quarta-feira, 16 de julho de 2014

PELOS BAIRROS ESQUECIDOS



Pelos bairros esquecidos,
tantos passos,
tantos risos,
tantos sonhos perdidos!

Helena Kolody,
 in Ontem Agora, 1991

segunda-feira, 14 de julho de 2014

GESTOS



Há gestos de dizer
e gestos de calar,
de pedir, de sofrer,
de ferir, de salvar.

Gestos densos e fechados como esferas,
gestos leves, radiantes como a luz.
Ondas que nascem, morrem e renascem
ao influxo poderoso das marés.

Helena Kolody 

SALDO



Na pagina adolescente
deste mundo em flor,
sou um saldo anterior.

Helena Kolody
in Poesia Mínima


NOTURNO URBANO



O cansaço anoitece
nas solidões aglomeradas.

Noite alta,
velam janelas,
semáforos insones.

Nem um trilar de grilo
estremece a teia do tédio


Helena Kolody
in Poesia Mínima

sábado, 12 de julho de 2014

AZUL



Tropeçou no sol da manhã
e mergulhou no azul do outono.

Helena Kolody
in Viagem no Espelho 

IDENTIFICAÇÃO



Usando as mesmas palavras
Precisas e limitadas,
Os homens raro se entendem.

As almas se identificam
Nas graves coisas profundas,
Inominadas.


Helena Kolody
In: Poemas do Amor Impossível


sexta-feira, 11 de julho de 2014

VIAGEM



Era um pássaro triste.
Andorinha exaurida,
A viajar para longe.
Em suas asas tremia
Um prenúncio de morte.

A árvore acenou da distância
Um fraterno chamado.

Repousou a andorinha
E sonhou longamente,
Acordada.
E foi, aquele sonho, a vida.


Helena Kolody
In Luz Infinita

LOUCURA LÚCIDA



Pairo, de súbito,
noutra dimensão.

Alucina-me a poesia,
loucura lúcida.


Helena Kolody
in Sinfonia da Vida

SONHAR



Sonhar é transportar-nos em asas de ouro e aço
Aos páramos azuis da luz e da harmonia;
É ambicionar o céu; é dominar o espaço,
Num vôo poderoso e audaz da fantasia.

Fugir ao mundo vil, tão vil que, sem cansaço,
Engana, e menospreza, e zomba, e calunia;
Encastelar-se, enfim, no deslumbrante paço,
De um sonho puro e bom, de paz e de alegria.

É ver no lago um mar, nas nuvens um castelo,
Na luz de um pirilampo um sol pequeno e belo;
É alçar, constantemente, o olhar ao céu profundo.

Sonhar é ter ideal na inglória lida:
Tão grande que não cabe inteiro nesta vida,
Tão puro que não vive em plagas deste mundo.


Helena Kolody
in Sinfonia da Vida




quinta-feira, 10 de julho de 2014

PEDIDO



Enche de silêncio a minha taça.
Unge-me de esquecimento.

Helena Kolody
in Viagem no Espelho