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domingo, 17 de maio de 2015

FRUTOS DA TERRA




...Bendito o sol
que amadurece os frutos da terra.
Mais bendita a luz
por que anseia a noite escura da alma.


 Fernando Campanella
do poema "FRUTOS DA TERRA"

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

'XXXV'





Aquele pássaro ronda de novo
a minha janela,
Há tempos que eu não o ouvia.
Seu canto dias já idos me lembra,
Algo como “eu era infeliz
Mas tinha junto de mim a alegria”.

Vai dormir, sonoro amigo,
Já é da noite
a quase sombra que nos fecha.
Vai e se possível
ao Sol de meus dias retorna
(Eu que nunca fui tão feliz
Te confesso:
Agora tenho um anjo triste
A minha volta .)

F.Campanella
Poema da série 'O EU Confesso'

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

'XII'




Dezembro acende as luzes
em ricos pinheiros de natal.
Mas é naquela árvore
solitária nas grotas
ou à beira da estrada
que se agregam bem-te-vis
e tagarelam maritacas.
Mangueira, Santa Bárbara,
Pata-de-vaca
- ao pássaro tanto faz:
folhagens são mimos anônimos.

Eu insisto em um Deus
que se projeta em tronco
e esparrama os braços
para acolher os seus.


F.Campanella
Poema da série 'Efemérides'

domingo, 21 de setembro de 2014

UMA ÁRVORE




Antes dos fundamentos de Minas,
eu já era, com as bicas e as fontes.

Mãe dileta das relvas, das grotas, 
cobria em tapete ileso
a vasta inconsciência da terra
em suas planuras e montes.

Seguia, alegre, as curvas, as margens 
de corredeiras e rios, acatava 
em silêncio o clamor dos trovões -
minha seiva corria equânime
sob o esplendor dos elementos
ou as gasturas invernais.

Preparei longa e arduamente a casa, 
alimento e berço, a morada,
para as futuras criações em asas.


Acima de mim, para além do sol,
era apenas o pêndulo da noite
ritmando a dança dos astros –
o espelho – a incógnita dos primórdios.


Fernando Campanella 

sábado, 12 de julho de 2014

COMO OS ANOS



aquelas gotas de chuva
nas folhas
pesam, pesam...

e se tornam leves
quando não são mais tempo

e

caem


Fernando Campanella


domingo, 20 de abril de 2014

BEM-AVENTURANÇA



Graças, por todo pão e mistério
pela palavra soerguida
pela poesia
pela vida sobre a vida.

Fernando Campanella



quinta-feira, 10 de outubro de 2013

OUVI DIZER




Existe um lugar
- um passarinho me contou -
onde os seres habitam
impunemente felizes
suas tocas, suas casas.
Seria em que floresta,
em que memória encantada
em qual inaudito planeta,
ou esfera mais abençoada ?
-Em que lugar,
diz-me pássaro escuso,
preciso saber,
para que eu junte no bico
minhas imprescindíveis ervas,
minhas malas
e, como tu,
eu me adeque aos ventos,
e bata definitivamente as asas.


Fernando Campanella

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

ALGO NAS FLORES



Há algo de óbvio nas flores -
eu o admito, mas reincido -
a beleza requer exercício

Fernando Campanella


sexta-feira, 17 de maio de 2013

FACTUAL



um estalido
cai uma folha seca
no quintal

factualmente

e o poeta retoma a velha tecla
e bate, bate
todo o outono que sente...


Fernando Campanella