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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

ALMA ESTRANGULADA



Cada um de nós que vai por essa estrada deserta
sente que uma multidão de espíritos vive dentro de si.
Às vezes nos surpreendemos tão diferentes de nós mesmos...

(As sombras na alma pesam tanto, são tão quietas,
como a noite, são tão frias, como o luar).

... tão diferentes, como se, de súbito,
uma multidão de espíritos vivesse dentro de nós.


Emílio Moura
Itinerário Poético

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

OS QUE SE FORAM



Pouco a pouco vou compreendendo
esta verdade tão simples:
Agora é que realmente existem
os que se foram.
Só agora é que todos eles se movimentam
livres, imensamente livres.
Só agora é que falam
o que sempre calaram
e era precisamente o que me levaria
à única verdade que traziam.
Saem de velhos retratos,
ou de ressuscitadas palavras soltas,
e caminham comigo
que os não sabia tão transparentes
e comunicativos
tão lógicos, tão completos.
Completos e definitivos.

Emílio Moura

quarta-feira, 13 de junho de 2012

EU, NO TEMPO


 
Meu espírito caminha irreversivelmente para a irrealidade de tudo.
O universo para, de repente, à espera de minha infância.
Tudo repousa em seu lugar.
O tempo, no relógio.
O silencio, na pedra.
Jogo as máscaras fora e me identifico comigo
que me esperava há séculos.

Emílio Moura
In: Itinerário Poético

quarta-feira, 30 de novembro de 2011



"O que me dói não é
o que há no coração
mas essas coisas lindas
que nunca existirão."

Fernando Pessoa


Sempre te busco,
nunca te encontro.
Que nuvem densa,
múltipla e vária,
te oculta aos olhos
que te sonharam?

E vão te chamo.
Eco perdido,
a voz retorna.
Frágil e tímida,
deu volta ao mundo.
Não te encontrou.

Meu pensamento
sobe bem alto,
sobe mais alto.
Espelho mágico,
mostra-te aos astros.
Nenhum te viu.

Ninguém te viu,
nem te verá.
Morres comigo.

Emílio Moura