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quinta-feira, abril 13, 2006
quarta-feira, janeiro 18, 2006
Os perfeitos
Os que se poupam à vida em nome da felicidade alheia, são os infelizes construtores da casa vazia que habitam, algemados, algemando os protegidos.
sexta-feira, dezembro 30, 2005
segunda-feira, outubro 31, 2005
A estrada mais perigosa do mundo
terça-feira, agosto 16, 2005
Não esperes tanto de mim!
No mundo perfeito nunca nada está completo. Tudo se repete sem fim: fazer a cama, lavar o corpo, cozinhar, comer, falar, beijar. Precisamos de todos os nossos dias para aperfeiçoar a incompletude perfeita, não nos basta apenas um, memorável.
O que disto se aprende, com os anos, não deverá chegar cedo demais. A experiência pede os dias e noites que se sucedem em risos e cansaços. Assim, o mundo pode ser perfeito, porque vimo-lo enganar-se e acertar, e entre os dois pratos encontrámos proporção.
Tudo se destrói ou é levado por mão intencional ou inocente. É uma calamidade, afirmamos. Mas, todos os dias, alguém repõe o telhado arrastado pelos ventos, ergue a casa arrasada pelas cheias, repara a bicicleta abandonada num vago desde as últimas férias; e a cada Inverno semeamos os amores-perfeitos que secam no Verão e podamos as roseiras que explodem em Abril.
Algo se perde. É preciso. O velho muro erodido, coberto de silvas, fetos, hera, esse não se reconstrói. Esse não seria possível.
Mas, até isso que se perde, precisava ser perdido.
O que disto se aprende, com os anos, não deverá chegar cedo demais. A experiência pede os dias e noites que se sucedem em risos e cansaços. Assim, o mundo pode ser perfeito, porque vimo-lo enganar-se e acertar, e entre os dois pratos encontrámos proporção.
Tudo se destrói ou é levado por mão intencional ou inocente. É uma calamidade, afirmamos. Mas, todos os dias, alguém repõe o telhado arrastado pelos ventos, ergue a casa arrasada pelas cheias, repara a bicicleta abandonada num vago desde as últimas férias; e a cada Inverno semeamos os amores-perfeitos que secam no Verão e podamos as roseiras que explodem em Abril.
Algo se perde. É preciso. O velho muro erodido, coberto de silvas, fetos, hera, esse não se reconstrói. Esse não seria possível.
Mas, até isso que se perde, precisava ser perdido.
domingo, maio 22, 2005
Luz

Foto - Edouard Boubat
Não sou corajosa: tencionei, por instinto, arremessar-me vida dentro e pretendi que ela me trespassasse de igual forma. Por instinto, por fome e abrigo, como o Cavaleiro da Dinamarca, que avistou muito antes, muito ao longe a luz do seu quintal, sempre a mesma luz, emanando de um mesmo lugar, que era a sua cabeça, e que esperava por si.
Não sou corajosa, tenho vontade. Não sou corajosa, odeio o medo. Não sou corajosa, acredito; entrego.
Na direcção da luz bussolar que paira, que enxergo distintamente, arrisco, por inteiro, dois ou três luxos a que nos vedamos, julgando que nos protegemos: lançar-me sobre os abismos, voar sem asas, consciente da altura, das escarpas, da solidez fatal das lajes; escolher vias que não sei onde terminam, se têm saída, se são transitáveis sequer. Não por ser corajosa, mas porque o Amor tem rosto de homem e de mulher, e vela por mim, lava as minhas feridas com água muito pura das nascentes, e porque, a esse Amor, tartamudeio, constante e alternadamente, amo-te, salva-me, amo-te, salva-me e Ele, sem falha, ama-me, salva-me.
E porque sei isso, sei que não devemos proteger-nos dos minutos que atravessam, agora, os poros da nossa mão direita.
Não sou corajosa, tenho vontade. Não sou corajosa, odeio o medo. Não sou corajosa, acredito; entrego.
Na direcção da luz bussolar que paira, que enxergo distintamente, arrisco, por inteiro, dois ou três luxos a que nos vedamos, julgando que nos protegemos: lançar-me sobre os abismos, voar sem asas, consciente da altura, das escarpas, da solidez fatal das lajes; escolher vias que não sei onde terminam, se têm saída, se são transitáveis sequer. Não por ser corajosa, mas porque o Amor tem rosto de homem e de mulher, e vela por mim, lava as minhas feridas com água muito pura das nascentes, e porque, a esse Amor, tartamudeio, constante e alternadamente, amo-te, salva-me, amo-te, salva-me e Ele, sem falha, ama-me, salva-me.
E porque sei isso, sei que não devemos proteger-nos dos minutos que atravessam, agora, os poros da nossa mão direita.
O tempo de um gelado no McDonalds
Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...


